Aplausos

•[ Janeiro 30, 2008 ] • 1 Comentário

Brasil Recife
Muito perto de pousar em Recife

3… 2… 1. Tudo treme. A gente treme.

O barulho dos pneus encostando no chão, seguido daquele vento muito barulhento que serve pra freiar o avião, deixam todos em silêncio por alguns instantes.

Mas dessa vez eu lembrei dos aplausos, e fiz minha parte assim que percebi que era a hora. Eles não tinham feito muito sentido da primeira vez, mas agora tudo que eu queria era que esse avião pousasse. E foi o que aconteceu.

Voltei, Recife. Foi a TAP que me trouxe, mas a saudade tava do lado o tempo todo.

Notas de Viaje

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

Sobre o Atlântico
O resumo da minha viagem, ou a parte que eu lembro

“Atenção senhores passageiros, preparar para a aterragem”, falou o piloto em bom português (de Portugal).

Dentro de alguns instantes, a minha viagem acaba. Dentro de alguns dias, eu vou me reacostumar à vida no calor da minha cidade. Dentro de algumas semanas, eu vou lembrar do quanto gostei da Europa. Dentro de alguns meses, provavelmente já vou ter esquecido de tudo. Mas eu não quero esquecer.

Ao longo da viagem, fiz o possível pra tentar fazer de cada dia uma nova experiência, pra evitar que eu desperdiçasse a chance de estar na Europa. Agora, peguei o caderno e comecei a anotar o que eu lembro de ter feito em cada dia.

Como podem ver, eu tenho uma memória muito boa pra certas coisas. Os espaços em branco não é nem por não lembrar o que eu fiz, e sim por não lembrar a ordem. Nada que eu não relembre quando olhar as fotos.

Por sinal, foram mais de 2.500 fotos. Juntando elas às minhas anotações e à memória de todos os que me acompanharam nesse mês, creio que ainda vou lembrar de tudo isso por muito tempo.

30 minutos

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

Sobre o Atlântico
O mapa indicando o quase-fim da viagem

São 15h30. Pelas minhas contas, falta cerca de meia hora pra eu pisar novamente em solo recifense.

Não sei exatamente o que me aguarda quando eu chegar. Já viajei por uma semana, e fui recebido por 15 pessoas. Já viajei por um pouco mais de tempo e fui recebido por só duas.

As viagens não são mais como antigamente. O que antes era um acontecimento na vida de uma pessoa, hoje em dia é só mais uma promoção que alguém pegou na Gol. A saudade não é mais a mesma: se alguém vai, volta; se não volta, paciência.

Esse não é o meu caso. Algumas pessoas me fazem muita falta, e eu quero reencontrá-las o mais rápido possível. Uma viagem como essa faz a gente mudar de ponto de vista sem nem se dar conta.

Foram 30 dias inteiros longe de casa. Ainda assim, esses poucos 30 minutos parecem se esticar indefinidamente.

Bom dia!

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

Sobre o Atlântico
De pernas pro ar, me sentindo em casa no avião

Depois de algumas horas de sono profundo, acordei um pouco desnorteado. Não sabia direito onde eu tava, mas me situei quando as luzes se acenderam. Finalmente, eu tava perto de casa? Não, não… foi só pra servir a refeição.

Mas a tática de ficar acordado até não aguentar até que funcionou. Já são 14h no horário de Recife, devem faltar poucas horas pra chegar.

Na última vez que olhei pro mapa, a gente tava sobrevoando a costa da África, e agora estamos em algum lugar no meio do Atlântico. Cheguei a lembrar de Lost, mas acho que não é uma hora muito boa pra isso.

Não costumo ter problema com altura, mas prefiro não imaginar em qual esse avião se encontra.

Como passar o tempo no avião

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

Sobre o Atlântico
Sobrevoando o Atlântico

Há um mês, quando peguei o vôo de Recife para Lisboa, fiquei na torcida pra que a pessoa que sentasse do meu lado não fosse alguém chato ou inconveniente, e se possível alguém que gostasse de conversar. Esperei pra ver quem seria. Esperei, esperei, e não chegou ninguém. Eu tinha a fila toda pra mim.

Agora, no vôo de volta, eu já não fazia questão de companhia. E para não ser diferente, ninguém chegou também. A fila é minha de novo. Só espero que eu consiga dormir dessa vez, pois na vinda não tive muito sucesso.

Resolvi mudar minha estratégia: em vez de tentar dormir logo e ficar procurando a melhor posição (coisa que não existe), eu tinha que ficar o máximo de tempo acordado, até ser nocauteado pelo sono.

No vôo de dezembro, vim rindo com um episódio dos Simpsons, e demorou um pouco até eu perceber que se tratava do filme (só descobri quando vi a cena do porco-aranha). Depois veio Transformers, que peguei pela metade e não entendi a história. Quando acabou, revi o filme do começo, e vi que ele não tinha história mesmo.

Agora na volta, comecei por Ratatouille, mais um filme que eu queria ver e tinha perdido, e vale muito a pena. Pro segundo filme, até tinham várias opções, mas graças ao meu quase-sono, escolhi The Ultimate Gift, um drama bem legal pra quem anda pensando na vida. Provavelmente ninguém vai ouvir falar dele, mas eu gostei muito.

Esgotado de sono, comecei a usar a criatividade: amontoando uns lençóis e travesseiros, levantando o braço das cadeiras e botando as pernas na janela do avião, encontrei o conforto que eu queria. Com o fone de ouvido e aquela escuridão que acolhe qualquer um, essa é minha deixa.

Boa noite.

Os não-portugueses de Lisboa

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

Portugal Lisboa
Escala no Aeroporto de Lisboa

Desci do avião, dessa vez pisando em todos os degraus, em vez de sair caindo por eles. Segui o fluxo e cheguei numa fila enorme da imigração, como era de se esperar. Tinha uma fila especial, mais rápida, pra quem tinha passaporte europeu. Acho que eles têm direito, né?

Puxei conversa com um pessoal da fila pra passar o tempo. Depois de alguns minutos conversando em inglês, percebemos que todo mundo falava português. Um cara tentava ligar pra a filha no Brasil, usando um telefone altamente high-tech, mas nenhum de nós sabia ligar interurbano em Portugal. E eu que antigamente achava o esquema do zero-operadora-81 complicado.

Lembrei da primeira vez que estive no mesmo saguão, há 1 mês, autista e sem saber o que me aguardava. Dessa vez eu já não estava mais tão autista, e já tinha muita muita estória pra contar. E dessa vez eu já sabia onde ficava o banheiro sem precisar passar meia hora procurando.

Sentei numa cadeira na sala de espera, e olhei pra o telão que passava uma novela. Isso em plena manhã. E não era uma novela portuguesa: era a nossa querida Terra Nostra, uma novela 100% de brasileiros fingindo ser italianos.

Enquanto os adultos tentavam se manter acordados, uma menina de aproximadamente 6 anos chamada Jéssica ficava correndo de um lado pro outro, toda animada. Ela falava português e alemão, e tinha uma energia infinita. Todo aquele entusiasmo dela fez o tempo passar bem mais rápido.

Do meu lado, também rindo da menina, estava um casal: uma brasileira e um alemão. Passei um bom tempo conversando com eles, embora a mulher tivesse que traduzir tudo, já que eu não falo alemão (ao contrário de Jéssica). E o marido dela também falava muito pouco português. Ela já morava na Europa há 7 anos, e estava indo com ele visitar a mãe.

No caminho do avião, eu e a mulher conversandos com um português que ia conhecer o Brasil. Foi triste ter que dizer pra ele ter muito cuidado por onde andava, pra preferir táxis em vez de ônibus, não sair sozinho à noite pela rua, etc. É a dura realidade para a qual eu esqueci que estou voltando.

Ainda assim, estranhamente, eu continuo doido pra voltar.

Aeroporto de Orly (a.k.a. Guerra do Sono)

•[ Janeiro 30, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Tentando ficar acordado no Aeroporto de Orly

O difícil era ficar acordado. Todo o sono que eu reservei pro avião não estava muito afim de esperar eu entrar nele, e ainda faltavam 2 horas pro vôo sair. Sem música pra escutar, meu maior medo nesse momento era o de acabar dormindo e perder o vôo.

Os bancos do Aeroporto de Orly pareciam muito confortáveis pra se esparramar e ficar confortável, pois não tem braços entre as cadeiras, mas eu não quis arriscar. Creio que isso vai ser muito útil pra quando Gi vier, pois ela disse que vai chegar logo de meia noite no dia da volta dela. Que coragem.

Comi um croissant e tomei um café pra me manter atento. Comi na maior lerdeza do mundo, pra ver se quando eu terminasse já era hora de ir. Claro que não adiantou muito.

Minha distração era olhar algumas pessoas (apressadas) de um lado pro outro, enquanto outras (nem tanto) usavam bem o seu tempo.

Observando as pessoas enquanto comia um croissant Pessoas apressadas, mesmo tão cedo A hora do embarque

A hora se aproximava, mas eu não via meu vôo no painel. Tinha Barcelona, Madrid, várias outras cidades, mas nada de Lisboa. Esperei mais um pouco. Já tinha passado da hora de embarque que tinha no cartão. Fiquei preocupado, mas esperei mais um pouco. Quando a preocupação chegou num limite que me deixou agoniado, fui la e perguntei. A mulher disse: “ah, pode entrar por essa fila”.

Quase que eu fico. Mas o que importa é que eu entrei no avião. Fiquei olhando pela janela, vendo o mundo se mexer enquanto o avião decolava. Percebi que nesse momento eu não ia conseguir mais dormir: era muita ansiedade. A terra foi ficando longe, cada vez mais longe, e com meus olhos ardendo, fechei por um segundo.

Quando abri, no segundo seguinte, já estava em Lisboa.

Agora é tarde

•[ Janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Rue de la Pompe, quase vazia

Não deu. São 4 da manhã e eu tô acordado, mas não emendei pela madrugada como eu planejava. Vinício acabou saindo muito tarde da faculdade e o frio tava muito grande pra alguém conseguir sair de casa. Mais um que eu não vejo mais.

Me despeço de Alessandro, pois a amiga dele acabou de chegar e tá lá embaixo esperando. Agradeço por toda a hospitalidade nesse tempo e por todo esse apoio pra a minha viagem dar certo. Descendo as escadas, fico pensando no quanto vai ser estranho não ter mais a companhia de alguém que eu vi e com quem conversei todos os dias, durante um mês.

Com as malas na mão, olho uma última vez pra a Rue de la Pompe, que há tanto tempo eu já chamo de casa, mas que em breve vai ser só a memória da rua vazia no meio da madrugada.

Entro no carro de Silvia. É estranho estar num carro depois de tanto tempo andando a pé ou de metrô. Vamos conversando o caminho todo, num trajeto que dura cerca de meia hora. Nem sei o que eu faria se não fosse a carona dela.

Silvia não só me trouxe até a porta do aeroporto, como veio comigo até a fila do check-in, pra evitar que eu me perdesse no caminho (algo que teria acontecido facilmente). Lá se vai minha mala, rolando pela esteira. Lá se vai Silvia, de volta pra sua casa e sua família.

E cá estou eu, esperando pra ir pra a minha.

Tem uma bicicleta no teto

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Dentro do restaurante Le Kiosque

Espanhola, japonesa, libanesa, polonesa… Depois de tantas cozinhas variadas que eu encontrei nessa viagem, faltou muito pouco pra eu voltar pra casa sem ter comido algo tipicamente francês. Mas antes que eu fizesse essa besteira, fui com Alessandro pra um restaurante chamado Le Kiosque, no 16ème mesmo.

Palmas pra mim, lembrei o nome! Só não queiram que eu lembre o nome dos pratos. A única coisa que me vem em mente é que eu finalmente comi um prato de pato (canard), mas não lembro se foi o tal “fois gras”.

Era um restaurante pequeno, mas bem interessante. Tinha fotos antigas por toda a parte e o cardápio era em forma de jornal. Assim que a gente sentou na mesa, Alessando olhou pra cima e disse: “tem uma bicicleta no teto!”. De fato, isso não se vê muito por aí.

Uma diversão da noite foi observar um casal que, por um lado, parecia ter se encontrado por acaso, mas por outro era como se tivessem marcado de se encontrar pela internet. Foi um pouco estranho, mas o bom era tentar imaginar qual era o caso. Acabamos sem descobrir.

A cadeira que eu tava ficava do lado de uma porta fechada, mas era o suficiente pra entrar um vento gelado. E isso foi só uma prévia do frio que eu senti quando a gente voltou pra casa. Segundo Alessandro, devia fazer uns 3 graus.

Vai ver é verdade: agora que eu vou embora, o inverno vai começar pra valer.

Últimos planos

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Voltando pra casa pela Av. Georges Mandel, no fim da tarde

Depois de Gi, Paty é mais uma que eu não vou ver mais nessa viagem. Mas Vinício e eu vamos procurar alguma coisa pra fazer ainda essa madrugada. Eu tenho que ter alguma espécie de despedida.

Meu vôo sai às 7 da manhã, lá no aeroporto de Orly. Como é um vôo internacional, preciso chegar as 5h da manhã, hora em que o metrô e RER ainda vão estar fechados. Isso normalmente seria motivo para desespero, mas Alessandro conseguiu uma carona pra mim com uma amiga dele.

Aparentemente, tô salvo. O difícil vai ser acordar as 4 da manhã com tudo pronto. Por isso, alguém teve a idéia brilhante de passar a madrugada acordado numa festa aqui perto e já ir direto pro aeroporto.

Depois dessa, quero ver eu não dormir no avião.