Antes que a fome me mate primeiro
Paris

Depois das duas primeiras semanas de viagem sem comer direito (primeiro por causa da doença e depois por pirangagem mesmo) e de perder 5kg, até agora só recuperei um dos quilos. Chegou a hora de abrir um pouco mais a mão pra gastar em almoço.
Enquanto procurava o que comer, dei de cara com esse pedaço de chão quebrado. Cheguei mais perto pra tentar entender, e vi que era uma fonte, por sinal, uma das fontes mais criativas que eu já vi até agora.
Esse foi o sinal de que eu cheguei em Saint Germain des Près, um bairro conhecido por seus cafés, frequentados por intelectuais, filósofos e políticos. Seus dois cafés mais conhecidos são o Les Deux Magots e o Café de Flore.
O nome dessa região é dado pela sua igreja mais conhecida, a Église Saint Germain des Près (como era de se esperar). Tempos atrás eu diria: “caramba, que igreja bonita, cheia de vitrais, esculturas de santos, etc”. Perdoem-me os arquitetos, historiadores e pessoas do ramo, mas nesse momento, eu só pensava: “É… outra igreja.”
Lá fica o Musée Delacroix. Passei na frente, mas não entrei. Lá também tem uma espécie de mercado ou galeria, o Marché St Germain, mas pra mim tá mais pra um shopping mesmo. Como eu tava procurando um lugar pra comer, e não roupa pra comprar, passei bem rápido.
Cheguei num cruzamento na Rue de l’Université (perto da Faculté de Médécine), e vi dois restaurantes, um de frente pro outro. Por lei, os cardápios devem ficar colados na porta. Então, olhei o menu do primeiro. Depois, olhei o do segundo. E do primeiro. E do segundo novamente. Com a fome que eu tava (às 17h), eu não tinha mais cabeça pra decidir. Por isso, “minha mãe mandou eu escolher” o da esquerda.
Passei uns 10 minutos escolhendo o prato, mas escolhi. Quando chegou, era uma coxa de galinha gelada, uma folha de alface com tomate, e um arroz qualquer que eu não lembro. Devia ter tirado uma foto, pra poder mostrar com o que eu ia ter que me sustentar o resto da noite.


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