Paris, je t’aime
Paris

Comecei a imaginar esse post enquanto caminhava de volta pra casa. Fazia dez minutos que eu tinha me despedido de Vinício, e vim me orientando pelo mapa (nunca saio de casa sem ele).
Eu sabia que deveria estar triste, por saber que muito em breve em vou embora da Europa. Mas, pelo contrário, estou mesmo é feliz, por ter conseguido concretizar esse sonho. Talvez vir pra cá nem fosse um sonho meu, e sim de outras pessoas, mas quando eu percebi que era possível, passou a ser algo que eu queria fazer, de verdade. E agora eu consegui.
Eu andei pelas ruas quase vazias, às 3 da manhã, e os poucos motoristas deviam estar imaginando o que um doido fazia sozinho no meio da madrugada. Ou talvez não: aqui a gente não precisa ter todo esse medo de andar na rua.
O fato de tantas pessoas quererem e não poderem vir torna tudo isso mais impressionante. Não é pra fazer inveja nem nada do tipo. É só porque eu percebi essa sorte toda que eu tive. Espero que muitos possam ter essa mesma sorte algum dia.
Continuei caminhando e cheguei na praça do Trocadéro. Na minha frente, mais uma vez, estava a torre Eiffel. Não toda acesa, como eu costumo ver, mas apagada, como o resto da cidade, que já tinha ido dormir. Ainda assim, ficar observando a torre sem se preocupar com mais nada é algo que acalma qualquer um.
Sentei sozinho nas escadarias. Um cara veio falar comigo rapidamente, pra perguntar se eu tinha um isqueiro. Se fosse no Brasil, seria pra “pedir” minha carteira.
Deitei no meio da praça. Encostado no chão gelado do Trocadéro, percebi que o céu da França não tem o Cruzeiro do Sul, nem as Três Marias, e entendi mais uma vez o quanto eu estou longe de casa.
Eu já sinto como se estivesse indo embora. Quem sabe isso me ajude a aproveitar melhor esses últimos dias.


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