Agora é tarde
Paris

Não deu. São 4 da manhã e eu tô acordado, mas não emendei pela madrugada como eu planejava. Vinício acabou saindo muito tarde da faculdade e o frio tava muito grande pra alguém conseguir sair de casa. Mais um que eu não vejo mais.
Me despeço de Alessandro, pois a amiga dele acabou de chegar e tá lá embaixo esperando. Agradeço por toda a hospitalidade nesse tempo e por todo esse apoio pra a minha viagem dar certo. Descendo as escadas, fico pensando no quanto vai ser estranho não ter mais a companhia de alguém que eu vi e com quem conversei todos os dias, durante um mês.
Com as malas na mão, olho uma última vez pra a Rue de la Pompe, que há tanto tempo eu já chamo de casa, mas que em breve vai ser só a memória da rua vazia no meio da madrugada.
Entro no carro de Silvia. É estranho estar num carro depois de tanto tempo andando a pé ou de metrô. Vamos conversando o caminho todo, num trajeto que dura cerca de meia hora. Nem sei o que eu faria se não fosse a carona dela.
Silvia não só me trouxe até a porta do aeroporto, como veio comigo até a fila do check-in, pra evitar que eu me perdesse no caminho (algo que teria acontecido facilmente). Lá se vai minha mala, rolando pela esteira. Lá se vai Silvia, de volta pra sua casa e sua família.
E cá estou eu, esperando pra ir pra a minha.


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