Como passar o tempo no avião
Há um mês, quando peguei o vôo de Recife para Lisboa, fiquei na torcida pra que a pessoa que sentasse do meu lado não fosse alguém chato ou inconveniente, e se possível alguém que gostasse de conversar. Esperei pra ver quem seria. Esperei, esperei, e não chegou ninguém. Eu tinha a fila toda pra mim.
Agora, no vôo de volta, eu já não fazia questão de companhia. E para não ser diferente, ninguém chegou também. A fila é minha de novo. Só espero que eu consiga dormir dessa vez, pois na vinda não tive muito sucesso.
Resolvi mudar minha estratégia: em vez de tentar dormir logo e ficar procurando a melhor posição (coisa que não existe), eu tinha que ficar o máximo de tempo acordado, até ser nocauteado pelo sono.
No vôo de dezembro, vim rindo com um episódio dos Simpsons, e demorou um pouco até eu perceber que se tratava do filme (só descobri quando vi a cena do porco-aranha). Depois veio Transformers, que peguei pela metade e não entendi a história. Quando acabou, revi o filme do começo, e vi que ele não tinha história mesmo.
Agora na volta, comecei por Ratatouille, mais um filme que eu queria ver e tinha perdido, e vale muito a pena. Pro segundo filme, até tinham várias opções, mas graças ao meu quase-sono, escolhi The Ultimate Gift, um drama bem legal pra quem anda pensando na vida. Provavelmente ninguém vai ouvir falar dele, mas eu gostei muito.
Esgotado de sono, comecei a usar a criatividade: amontoando uns lençóis e travesseiros, levantando o braço das cadeiras e botando as pernas na janela do avião, encontrei o conforto que eu queria. Com o fone de ouvido e aquela escuridão que acolhe qualquer um, essa é minha deixa.
Boa noite.



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