A tranquilidade do Hyde Park

•[ Janeiro 15, 2008 ] • 1 Comentário

Reino Unido Londres 
Lago Serpentine, no Hyde Park

Finalmente cheguei ao Hyde Park. Eu já ouvia falar dele desde Recife, pois ele era o ponto de referência pro hotel em que a gente ia ficar inicialmente (antes de umas 15 mudanças de planos). Com 1.4 km², ele é um dos maiores parques de Londres.

Vi gente caminhando, correndo ou andando de bicicleta tranquilamente, apesar do frio. Por sinal, Londres é uma cidade que parece ter sido feita para o frio. As pessoas não ficam tristes porque a temperatura caiu. Pelo contrário, elas saem nas ruas e continuam sorrindo. Acho que vou sentir falta disso quando voltar pra Paris.

 Entrada do Hyde Park     Rotten Row, no Hyde Park     Hyde Park

Quando eu estava prestes a ir em direção ao centro do parque (seria uma longa caminhada), vi de longe um lago bem grande, que praticamente me arrastou na direção dele. Acho que foi a mesma sensação das fontes do Louvre em Paris.

No meio do caminho, fui rodeado por pombos. Depois de pousarem, ao invés de fugirem, como todo pombo perto de um ser humano, eles simplesmente ficaram lá, marchando em conjunto, ao meu redor. Junto deles, vários esquilos corriam e ficavam me encarando, como se dissesse: “Tá olhando o quê? Esse jardim é meu!”

A marcha dos pombos     O esquilo que ficava me encarando no Hyde Park     Outro esquilo, que ficava me seguindo de longe

Por sinal, nessa viagem eu notei que tenho uma certa fascinação por pombos. Já tirei várias fotos deles em Barcelona, em Paris e agora aqui. Acho interessante o jeito em que eles andam e voam em conjunto, ou até mesmo parados. Talvez isso seja porque eu nunca fui alvo de nenhum deles.

Depois de alguns minutos parado entre os pombos e esquilos, cheguei ao lago Serpentine, que vi que era muito maior do que eu achava. Ele corta o Hyde Park no meio, e é habitat de várias aves, como é mostrado em uma placa na beira do lago.

A tranquilidade de ficar à beira de um lago desse é indescritível. Especialmente sendo bem no meio do movimento da cidade grande.

 Aves do lago Serpentine     22, no lago Serpentine     Gaivota solitária, olhando pro lago Serpentine

Buckingham, o Palácio Real

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Buckingham Palace

Até um ano atrás, acho que eu não faria muita questão de ver o castelo. Mas depois de assistir o filme “A Rainha”, fiquei curioso pra ver ao vivo aquele lugar onde tanta coisa já deve ter acontecido.

Quando cheguei na frente, lembrei da cena em que os fãs da princesa Diana enchem o portão do castelo de flores. Eu sei que isso foi um gesto simbólico, mas imagino o quanto deve ter significado para os londrinos, que ficaram sem a princesa de quem tantos gostavam.

De frente para o castelo, fica o Queen Victoria Memorial, que possui uma estátua da Rainha Victoria, rodeada pelos anjos da Justiça, da Verdade e da Caridade. Há também outras estátuas, que sugerem o grande poder naval da Grã-Bretanha.

 Buckingham Palace     Portões do Buckingham Palace     Queen Victoria Memorial

Um detalhe que eu não notei na hora é que é nesse castelo que ficam aqueles guardas vestidos de vermelho que não podem rir em hipótese alguma (embora todo mundo faça o possível pra que o contrário aconteça).

O problema é que eles estavam com a roupa de inverno, que é azul, então acabei nem fazendo a associação. De qualquer forma, eu não consegui chegar nem perto deles, afinal os portões estavam fechados. É isso que dá não ser VIP.

Piccadilly… o quê mesmo?

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Cabine telefônica na Haymark Street

Três pessoas disseram que eu deveria ver o Piccadilly Circus, e até explicaram onde ficava. Mas todos esquecaram de me dizer exatamente o que era.

Ao terminar a Haymarket Street, encontrei uma praça muito movimentada. No meio dela, tinha uma estátua de um anjo com uma fonte, com várias pessoas em volta. Parecia importante, então tirei uma foto. Soube depois que era uma estátua de Eros, deus do Amor, e foi a primeira estátua do mundo a ser feita em alumínio.

Em Londres também tem um Trocadero! Mas esse na verdade é um restaurante (embora eu não saiba bem o que é o de Paris). E foi por ali mesmo que eu fiz meu primeiro almoço em Londres. Não, não no Trocadero. No Burger King mesmo (afinal, eu não ganhei na loteria, né?).

Depois de 10 minutos indo pra lá e pra cá, encontrei a rua Picaddilly, e continuei meu roteiro e passei pela frente do Ritz!

 London Trocadero     The Angel of Christian Charity, comumente chamada de estátua de Eros     Ritz Hotel

Eu poderia ter seguido em frente e andado quilômetros até chegar no tal Marble Arch (que eu nem sei o que é), mas cheguei à conclusão que eu tinha que ver o Buckingham Castle de qualquer jeito. Então resolvi cortar caminho pelo St James Park.

Por sinal, essa é uma das partes boas de viajar sozinho: você pode simplesmente mudar de idéia quantas vezes quiser.

Esse parque, assim como todos os outros, tinha um aspecto mais triste por causa do inverno. As árvores sem folhas, e os bancos sem pessoas. Só os pombos não abandonam seu lugar cativo.

Em algum lugar na borda do parque, fica a casa dos Spencer e a dos Lancaster. Infelizmente, eu não consegui distinguir quais das casas eram elas. Então continuei seguindo até encontrar um portão com detalhes de ouro: logo atrás fica o Buckingham Castle.

St. James Park     St. James Park     Portão do St. James Park, de frente para o Buckingham Castle

A propósito, o Circus que eu tanto procurei realmente não é um circo, e sim o latim pra “círculo”. Na verdade, o Piccadilly Circus é exatamente a tal praça que eu encontrei no fim da Haymarket, cheia de gente e de edifícios, onde se encontram várias ruas. Isso eu só descobri depois de ter saído de lá.

Trafalgar Square

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Trafalgar Square

Meio que sem saber, encontrei no fim da Whitehall uma praça famosa, a Trafalgar Square. Nela fica a Nelson’s Column (essa pelo menos eu sabia), uma coluna erguida em homenagem ao almirante Horatio Nelson, que morreu na Batalha de Trafalgar.

No topo da coluna, fica estátua do Lord Nelson, olhando em direção ao Palácio de Westminster, de onde eu tinha acabado de vir. Na base da coluna, há 4 leões, um em cada direção, que só foram adicionados quase 30 anos depois.

Na praça fica também a National Gallery, uma das sugestões de museu que Alessandro falou. Entrei todo empolgado, já tirando foto de uma caixa de doação que tinha logo na entrada. O segurança me chamou e disse que não podia tirar foto lá dentro. Metade da minha empolgação foi embora.

 Nelson’s Column     National Gallery     National Gallery

Pelo menos a entrada era gratuita, e eu fiz questão de passar por todas as salas. Mas sinceramente, eu não tava lá com muita paciência pra ver tanto quadro. Depois de uma hora lá dentro (e de me perder umas 2 vezes), resolvi sair pra continuar meu turismo. Começou a chover.

Street, Square, Place, …

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Double Decker Bus, na Whitehall 

Assim como nós temos no Brasil as ruas e avenidas, cada cidade tem seus nomes particulares. Em Barcelona, temos: carrer, passeig e avinguda. Em Paris, temos: rue, avenue e boulevard.

Já em Londres: street, square, place, avenue, road, drive, crescent, path, walk… São milhares de nomes criados especificamente pra confundir a cabeça dos turistas. E o caso é mais grave, pois ter o mesmo nome não significa que é perto.

Lembro de ter encontrado a Tavistock Square, quando na verdade procurava a Tavistock Street. Quando vi, a Street ficava a pelo menos três quarteirões da Square. Isso não faz o menor sentido.

Fica registrado aqui a indignação de um turista que costuma se perder no mínimo 5 vezes ao dia.

Na rua dos prédios sem nome

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Government Office

Seguindo o roteiro desenhado, fui caminhando pela avenida Whitehall. Quando olhei no mapa pra ver o que tinha nela, vi várias áreas escrito “Government Offices”, ou seja, escritórios do governo.

Tudo bem que era uma área grande cheia de coisas do governo mas… custava dizer o nome das coisas? Depois de caminhar pela rua e ter tirado foto de vários edifícios (do governo, lógico), percebi que não sabia o que era nada.

 Government Office     Government Office     Government Office

Em algum momento, eu notei que devia ter entrado na esquerda pra ver a Downing Street, mas eu já tinha passado direto dela. Fiquei com preguiça de voltar e continuei em frente, pois o dia tava só começando. Mais uma vez, fica pra a próxima.

Uma oriental desorientada

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Westminster Abbey

Depois de mais 5 minutos de muita frustração, fui andando em direção à ponte com vista para a London Eye, uma roda gigante bem alta de onde se tem uma ótima vista da cidade (pelo menos quando não tá com esse clima feioso).

Até que resolvi olhar pra trás, e finalmente matei a charada. Acho que levou meia hora pra eu parar de me achar um completo idiota, mas pelo menos eu tinha finalmente encontrado o Big Ben. E só pelo trabalho que deu, tirei umas 10 fotos.

Um parêntenses: antes de viajar, um amigo meu comentou que, quando eu quisesse uma foto minha em um lugar turístico, bastava chamar qualquer oriental e pedir pra tirar uma foto. Afinal, quase todo turista oriental que eu vi tinha uma câmera. Ok, todos eles. Sendo assim, encontrei uma coreana que fez o favor de tirar uma foto minha na frente do Big Ben (ver abaixo). Teria ficado ótima, se desse pra me enxergar.

Pra retribuir, tirei uma foto dela na câmera de milhões de megapixels que ela tinha. Seguindo o roteiro sugerido pelo lodrino do Eurostar, fui andando até a Westminster Abbey, uma famosa igreja gótica que é o lugar tradicional de coroação e enterro de monarcas ingleses.

London Eye  Enfim, o Big Ben  Eu e o Big Ben (dá pra me ver?)  Westminster Abbey

Lá, encontrei novamente a oriental, que tirou outra foto minha. Ao tirar, ela comentou: “acho que você não vai querer mais que eu tire fotos suas, não ficou muito boa”. Pelo menos ela tinha uma boa percepção quanto ao resultado… a idéia era a igreja toda aparecer na foto.

Hipótese: Todo turista oriental com uma câmera na mão sabe tirar foto
Resultado: Mito

Mas sobre uma coisa ela tinha razão: fez MUITO frio. Tava praticamente impossível ficar rindo pra a foto por muito tempo. Paris tá começando a parecer um lugar agradável.

Ué, cadê o Big Ben?

•[ Janeiro 15, 2008 ] • 1 Comentário

Reino Unido Londres
O parlamento, logo ao sair do metrô

A foto acima mostra a primeira visão que eu tive ao sair do metrô. Olhei pro mapa e tentei me situar. Ele dizia que o Big Ben estava em algum lugar próximo, mas eu não conseguia distinguir onde.

Notei que todo esse edifício na minha frente era o Parlamento. Sendo assim, Big Ben deveria estar por aqui, certo? Certo, mas cadê ele? Talvez fosse do lado oposto, e eu tinha que dar a volta.

Passei bem uns 5 minutos tentando entender o mapa e saber em que raio de direção eu estava. Nesse meio tempo, apareceu algum inglês perdido e pediu ajuda, já que eu tava segurando o mapa. Por sinal, eu peguei esse costume de orientar as pessoas pelas cidades, mesmo quando acabo de chegar nelas. Meu senso de orientação tem melhorado muito.

Só não o suficiente pra encontrar o Big Ben. Como tava chovendo, eu fiquei embaixo do prédio onde fica a estação. Depois de muito analisar, olhei pra a frente novamente, e vi exatamente isso:

O parlamento é aqui… mas cadê o Big Ben?

E acreditem: nem assim eu achei o Big Ben.

É… é caro mesmo!

•[ Janeiro 15, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Saäa da estação Westminster 

Acordei com o humor bem melhor. Cheguei à conclusão que, agora que eu já estou em Londres e só tenho 2 dias pra aproveitar, tenho que sair por aí e conhecer o máximo possível. Pena que o clima não acompanhou meu humor: não só amanheceu nublado como resolveu chover em cima de mim.

Mas, como eu já disse ontem, só tenho hoje e amanhã. E como é querer muito esperar ter sol em Londres, lá fui eu em direção à estação de metrô.

A bateria do meu celular francês tá quase no fim, então resolvi desligar e deixar ele na mala mesmo, afinal vou precisar quando voltar pra Paris. Além do mais, não tem tomada no quarto do hostel. Pra carregar qualquer coisa eu preciso pagar 1 libra e botar numa maquininha bizarra que eles tem lá.

Falando no hostel, os funcionários são bem simpáticos. Quando cheguei na porta, pronto pra sair, fiquei olhando pra a chuva lá fora e conversando com o porteiro, até arrumar coragem pra sair. Quando finalmente cheguei na estação, tomei dois sustos.

Primeiro, minha vista escureceu. Passei uns 5 minutos sem conseguir enxergar quase nada, em pé na porta da estação. Eu tentava entender o mapa do metrô, mas não conseguia enxergar. Bateu um desespero na hora, mas eu fiquei lá esperando e acabou passando. Mais um médico pra eu ir quando voltar pro Brasil.

Segundo susto: um singelo ticket de metrô custa 4 libras. Pois é, uma ida daqui até ali são 4 libras, e a volta são mais 4. Estilei, é sério. Eu não quis nem converter pra euro nem real, porque até em libra eu já tava achando caro.

Eis que aparece um casal da minha idade pra me ajudar: a menina (galega e de olho azul, como metade da população londrina) me explicou que um ticket pra o dia todo custa 5,30. Ainda não tá barato, mas já melhorou muito. Tô chegando à conclusão que todos os londrinos são simpáticos. E se comparar com os parisienses, nem se fala.

Homesickness

•[ Janeiro 14, 2008 ] • 1 Comentário

Reino Unido Londres
As famosas cabines inglesas

Como última foto da noite, eu tinha que tirar uma foto com uma cabine telefônica (achei logo duas). Eu já seguia de volta pro hostel, pra comer por lá mesmo, quando de repente vi algo que não via há algum tempo, e que me lembrava muito minha casa: uma Pizza Hut.

Ok, eu sei que isso não é lá muito brasileiro, mas tem uma do lado da minha casa em Recife. Então entrei e pedi uma pizza, pelos velhos tempos. Enquanto a comida não chegava, fiquei sentado numa mesa sozinho e observando as outras pessoas que estavam lá.

Em uma mesa, vi uma família de indianos que parecia comemorar alguma coisa. Vi um casal trazendo seu filho pra comer. Vi outro casal que pareciam ser namorados. Vi dois amigos tomando cerveja enquanto conversavam. Todos conversavam, menos eu, que ficava em silêncio, meio autista, pois não tinha com quem falar.

Começou a tocar alguma música familiar, não lembro qual agora, e foi aí que me dei conta que eu praticamente me sentia em casa. Num país em que eu sabia a língua e entendia tudo (diferente da França), com comida e música que eu conhecia. Tudo familiar, menos as pessoas. Nessa ilha de 230 mil km², eu não conheço uma pessoa sequer.

Demorou, mas finalmente aconteceu: bateu uma angústia enorme e um nó na garganta. Depois de 15 dias longe de casa, não consegui pensar em mais nada a não ser em voltar pro Brasil.