Passageiro, mas só de passagem

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
O poster do novo filme de Rambo, nos corredores do mêtro

Entrei no metrô, provavelmente pela última vez por um bom tempo. Tava na hora de começar a me despedir de várias coisas. Enquanto pensava no que eu não vou mais encontrar daqui a 2 dias, olhei pro lado, e vi um rosto familiar sentado na cadeira do lado. Quando parei pra lembrar quem era, notei que foi o cara que perguntou pela Surcouf.

Uma das coisas que eu teria que me despedir era justamente poder conversar em francês, então resolvi puxar assunto (algo que eu não fiz a viagem toda, mas devia ter feito, mesmo sendo com desconhecidos).

Ele contou que o notebook dele tinha algum problema, mas estava na garantia, só que nas duas vezes que foi lá, a loja estava fechada. A essa altura eu já sabia reconhecer quem era francês e quem não era. Ele definitivamente não era daqui, e sim do Marrocos. Como praticamente todo mundo que eu conheci na Europa, ele veio para estudar.

No meio da conversa, Paty ligou. Ela tinha ficado de me entregar uns cartões de Natal atrasado pra eu levar pro Brasil, mas ainda não tinha feito. Infelizmente, não ia dar tempo de fazer e me entregar. Eu fiquei um pouco confuso com os dois falando comigo ao mesmo tempo, mas enquanto ela me desejava boa viagem, o tal marroquino se despediu e foi embora.

Depois de muita conversa, Paty se despediu e desligou. E eu fiquei olhando ao redor, dentro do metrô, me despedindo dele.

Indecisão

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Meu cartão de memória recém-comprado (ou a embalagem dele)

Saí de casa decidido a comprar um cartão de memória de 4gb pra minha câmera. Mas finalmente cheguei na rua Mongallet, vi dezenas de opções câmeras, de todas as marcas. Talvez fosse mais negócio comprar logo uma câmera nova e um cartão pra ela.

No entanto, teria sido mais inteligente ter pensado nisso antes, em casa, onde eu tinha o Google. Assim eu poderia pesquisar sobre as câmeras e evitar que eu acabasse comprando alguma porcaria qualquer.

Resolvi pedir ajuda aos universitários. Peguei o celular e comecei a escrever mensagens pra Gi e Alessandro. Nesse momento, passa um cara perguntando se eu sei onde fica a Surcouf. Eu lembro de ter lido esse nome em algum lugar, mas eu já tinha ido até o fim da rua e voltado e não vi nada. O cara agradeceu e seguiu adiante.

Voltei pras minhas mensagens. Listei algumas opções de câmeras, perguntei se tinha alguma marca melhor e tal, mas ninguém respondeu. Fui novamente até o fim da rua procurando a loja onde eu tinha visto o preço mais barato no site (pois é, a rua tem um site). Na primeira vez que eu vim, não achei a loja, mas dessa vez percebi que a rua faz uma “curva”.

Dobrando a rua, achei a loja que eu queria. É meio complicado você virar pra um oriental e falar “Memory Stick” em francês. Então eu desisti e falei do jeito mais simples mesmo, sem R francês, sem R inglês, o R brasileiro mesmo: memoristíque! Botei na câmera pra testar, e tirei uma foto muito expressiva do balcão, como podem ver.

Saí da loja, e la estava ela: a Surcouf! Coitado do cara que me perguntou, espero que ele tenha achado. Se bem que ela tava fechada, não ia adiantar muito. No caminho de volta, acabei cedendo ao apelo de uma vitrine e comprei um Pen Drive de 8gb. Sei lá, pode ser útil.

O problema é que isso me deixou liso. Sobraram 50 centavos de euro e dois tickets de metrô. Bem, era o suficiente pra voltar pra casa. Nesse momento, Gi respondeu a mensagem dizendo a câmera que ela comprou. Agora já era.

O desconfiômetro brasileiro

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Poster numa estação de metrô da linha 6

A mala tá quase pronta (por algum milagre inexplicável), então saí em busca do meu cartão de memória que eu, como todo bom brasileiro, deixei pra comprar no último dia. O destino era a rua Montgallet, aquela que não aceitava o meu cartão de crédito quando fui da primeira vez. Por garantia, fui levando mais dinheiro.

Logo na frente da catraca, encontrei uma francesa que devia ter a minha idade. Ela parecia agoniada, como quem procura alguma coisa. Quando passei por perto, ela falou comigo, perguntando alguma coisa. Como ela tinha falado muito rápido, fiquei olhando com aquela cara de “hein?” pra ela.

- É que eu bla bla bla carteira bla bla bla.
- Er… hã?
- Você entende francês?
- Sim.
- Eu não consigo encontrar minha carteira.
- Certo.
- Er… bla bla bla atrasada bla bla bla catraca.
- Hum… você quer passar junto comigo na catraca?
- Isso! Você se importa?
- Não, não, vamo lá.

E passei junto com ela. Ela agradeceu e seguiu o caminho dela. Eu tava até feliz de ter feito uma boa ação, embora ela incluísse dar um jeitinho brasileiro pra sacanear o sistema. Só que bateu aquela velha desconfiança, também brasileira: dizem que os batedores de carteira europeus são profissionais. Basta encostarem em você, e você nem nota que seus pertences foram embora.

Botei a mão num bolso, a carteira tava lá. Botei a mão no outro, os celulares tavam lá. Botei a mão pra tras, pra ver se a bolsa tava aberta, mas não tava. Alarme falso. Ela devia estar falando a verdade mesmo. Às vezes eu esqueço que eu vim pro primeiro mundo.

Notícias do topo da montanha

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

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Gi, pronta pra torcer o tornozelo

Tenho que agradecer novamente a Gi por me ajudar a manter a sanidade mental nos meus momentos autistas, graças aos SMSs. Ontem ela deixou um scrap de boa viagem, confirmando que a gente agora só se vê no Brasil, depois que ela terminar a viagem dela.

Mas se você achava que a participação dela tinha acabado aí, pense de novo. Na verdade, eu também estava achando, até que recebi a seguinte mensagem:

“Fui esquiar hoje, e torci o tornozelo. Vou ficar com a perna imobilizada por 10 dias.”

Parei pra pensar na situação, e só me veio uma coisa na cabeça: vontade de rir. Podem ficar com pena dela. E podem ficar com raiva de mim. Podem fazer o que quiser, mas eu comecei a rir, e muito. E não tinha como parar.

Mandei uma mensagem tirando onda, e acho que ela tá levando na esportiva. Eu não costumo ficar rindo da desgraça alheia, mas pra ela eu faço questão de abrir uma exceção.

Onde vai caber, Mister M? (parte 2)

•[ Janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Minha mala no Brasil, antes de vir pra a Europa

Adiei, adiei, e agora não dá mais. Hoje é meu último dia aqui e eu PRECISO arrumar a mala. A foto acima era a minha mala no Brasil, pouco antes de embarcar. Eu tinha um monte de coisa, não sabia o que ia levar, nem se ia caber.

Agora, a situação não é muito diferente. Eu continuo com um monte de coisa, mas tenho que levar tudo de volta. E pior, tenho certeza que não vai caber, já começando pelo volante de Guto.

E pra piorar, eu ainda não fui comprar o cartão de memória pra a minha câmera. Chega a ser meio inútil, já que o cartão de 512mb serviu até agora, e eu não pretendo fazer outra viagem dessa nem tão cedo. E pra melhorar, a loja fica do outro lado da cidade (mais longe ainda que a casa de Paty).

O dia hoje vai ser longo. E curto ao mesmo tempo.

Paris, um filme de Cédric Klapisch

•[ Janeiro 28, 2008 ] • 3 Comentários

França Paris
Poster do filme \

Em breve, vai estrear por aqui um filme chamado “Paris”. Ele é o terceiro da trilogia com Roman Duris, que começou com O Albergue Espanhol (muito bom) e As Bonecas Russas (não tanto). Admito que já estou curioso pelo fim da trilogia mesmo antes de saber em que país seria. Agora fiquei mais ainda.

No metrô pra casa, voltei junto com uma amiga francesa de Paty. Como era de se esperar, eu não lembro o nome dela. Tenho um ótima memória para números, datas, fatos, rostos, ruas, pontos turísticos e pra muitas outras coisas. Mas não consigo lembrar um simples nome de uma pessoa, até que ela repita umas 5 vezes.

De qualquer forma, ela já começou me mostrando um outro caminho para chegar em casa, usando a linha 6. Putz, em uns 20 minutos eu cheguei na estação que eu queria, ao contrário da uma hora que eu levei no caminho de ida.

Esse fato foi compensado pelo momento em que a francesa, nativa, moradora de Paris, que fala fluentemente (ok, já reforcei o suficiente), disse que meu francês era muito bom pra quem só estudava há um ano e meio. Eu sei que já falei disso antes, mas foi interessante ouvir isso depois de vários minutos de conversa fluente, sem nem perceber.

Ela desceu no meio do caminho, e eu cheguei minutos depois na minha estação. No corredor do metrô, dei de cara com esse poster do filme, que eu até já tinha visto outras vezes. Fiquei me perguntando se a estória que ele vai contar vai parecer tão legal pra mim quanto a minha própria estória no último mês.

Eu tive um capítulo em Barcelona, como no primeiro. Não cheguei a ir pra a Rússia, mas talvez Londres conte pra alguma coisa. Imaginem só: “Paris, um filme que completa a trilogia de Mano”.

Pensando bem, deixem pra lá. Quase ninguém ia querer assistir.

Oi, te conheço?

•[ Janeiro 28, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Gente de todo canto no aniversário de Mayssa

Uma salada cultural. Pessoas vindas de vários países para fazer a surpresa para uma amiga que não desconfiava de nada. Falando assim, parece até que o povo atravessou o oceano só pra isso, mas quase todo mundo já morava lá naquele prédio. Mas isso não diminuiu em nada a surpresa que Mayssa teve quando entrou na copa e viu todo mundo cantando Joyeux Anniversaire.

Com um pouco de improviso e muita criatividade, espalhamos os salgados e doces pela mesa, pra parecer mais do que realmente tinha. Pringles, jujubas, uma espécie de ruffles, pepsi, suco de laranja, vinho e vários tipos de bolos, tudo isso pra fazer essa comemoração entre estudantes brasileiros, colombianos, italianos, tunisianos, libaneses e (quem diria) franceses!

Falamos sobre a diferença entre as línguas, coisas como o “sessenta e dez” da língua francesa, e coisas do tipo. Como quase metade falava português, a gente acabava esquecendo e excluíndo um pouco os “estrangeiros”, mas quando lembrava, todo mundo voltava pro francês.

A cara de surpresa de Mayssa É, é muita emoção A mesa improvisada

Vale notar o mico do dia: logo que eu cheguei, fui cumprimentando todos (vários eu não conhecia) e disse pra uma das meninas:
- Bon soir!
- Oi, tudo bom?
- Eita, uma brasileira?
- Ué, não lembra de mim não?
- Hum…
- Eu fui te buscar na porta do bar no teu aniversário!
- Er… Lorena?
- É, né. Hehe.

Ops. Pelo visto minha tão falada memória fotográfica não é lá tão boa quanto eu imaginava.

A volta em Paris em 60 minutos

•[ Janeiro 28, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
A torre brilhando no meio da correria

Quer saber por que eu estava correndo para o metrô? Pelo motivo de sempre: eu saí de casa atrasado. Eu devia estar lá as 19h, mas a essa hora eu não tinha nem botado o pé na rua. Saí correndo desesperado até a estação mais próxima, pra pegar minha usual linha 9.

Às 19h10, Paty liga de casa.
- Tás onde?
- Tô no caminho… na Franklin Roosevelt.
- Onde?
- Franklin Roosevelt!
- Ok… o pessoal tá aqui esperando pra cantar parabéns.
- Eu chego em breve!

Às 19h20, Paty liga do celular.
- Tás onde?
- Er… La Fayette. To trocando de linha agora, foi mal.
- Hã?
- Tô esperando o outo metrô da linha 7 chegar e… ah, chegou!
- Tá… a gente colocou o chantilly no bolo e tá derretendo, vem logo!
- Hum… Podem ir cantando parabéns logo, é melhor.
- Beleza.

Às 19h30, Party liga de outro número.
- Cadê tu?
- Passando por Jussieu, devo chegar em 10 minutos.
- A gente tá só te esperando pro parabéns.
- Caramba… podem ir sem mim po.
- Mas tu tas com os pratos e os talheres!
- Eita… bom, to chegando!

Às 19h40, finalmente chego na estação de Tolbiac. O endereço era perto de 200, na própria rue Tolbiac. Daí lembrei que a numeração na Europa não é pela distância, e sim sequencial mesmo. Ou seja, eu não estava a 200 metros do local, e sim a 200 PRÉDIOS de distância. Só me restava uma opção: correr.

Corri, corri, e continuei correndo. Corri por quase um quilômetro até chegar lá, pingando e bufando. Toquei o intefone e subi os três andares correndo. Eram quase 20h quando eu cheguei aonde todos deviam estar me esperando pra cantar o parabéns e cortar o bolo. Aliás, todos menos uma pessoa.

- Oi Paty… ué, cadê Mayssa?
- Ah, ela não chegou, tem tempo ainda!

Ok. Depois dessa agonia toda pra chegar, só contando até dez pra ficar calmo.

Barrados no Baile

•[ Janeiro 28, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
dsc05688

Quando eu estava voltando do Musée Guimet (o museu de artes asiáticas), acabei me deparando com o tal Cinéaqua. Não sei exatamente o que tem dentro dele… só sei que quando tentamos entrar no meu aniversário, Vinício e eu fomos barrados porque a mulher que tava plantada nessa entrada da foto acima disse que não gostou do meu sapato.

Eu poderia ter ficado de mau humor ao relembrar desse episódio, mas quando passei por ali, Paty me ligou pra avisar que hoje é o aniversário de Mayssa, a amiga mudinha dela que eu ajudei a andar de patins. O pessoal resolveu fazer uma festa surpresa, e Paty me chamou pra ir de penetra.

Mas como todo penetra decente, eu fiquei encarregado de levar os pratos, copos e talheres descartáveis. Ela me explicou que era pra eu descer na estação Tolbiac (quase do outro lado da cidade) e andar um pouco, até chegar na casa dos estudantes, que não fica tão perto assim de Jussieu como eu achava.

Nada como uma festinha pra tentar me animar, tão perto de ir embora.

Torre Eiffel, a origem

•[ Janeiro 28, 2008 ] • 3 Comentários

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A grama do Champs de Mars

Já falei tanto da Torre Eiffel, de quantas vezes passei por ela, de quantas fotos já tirei e de até onde subi. Mas até agora eu não comentei um fato importante: por que raios ela existe? E por que está aí até hoje?

A torre foi construída para a Exposição Universal de 1889, e o plano era mantê-la por 20 anos. Passados os 20 anos, ela quase foi demolida, mas ela já estava sendo utilizada como antena de transmissão, e isso acabou salvando esse monumento que é disparado o símbolo mais conhecido de Paris e mesmo da França.

Quando Gustave Eiffel projetou a torre, ele planejava que ela fosse construída em Barcelona, para a Exposição Universal do ano anterior. Só que o governo da cidade achou que ela uma construção muito cara e que não combinava com a arquitetura da cidade. Perderam, né?

Chegando na torre, pelo rio Sena No Champs de Mars, sem usar o timer Monumento da paz No Champs de Mars, usando o timer

Na ponta oposta do Champs de Mars, há um monumento da paz. Nele, a palavra “paz” é escrita em várias línguas (talvez até “todas” as línguas), num intuito de simbolizar a união de todas as culturas.

E, epoiando nos cercados tinham ao longo do jardim, eu pude mais uma vez usar o timer da câmera, pra tirar algumas fotos em que eu realmente pareço estar no local.