Os não-portugueses de Lisboa

Portugal Lisboa
Escala no Aeroporto de Lisboa

Desci do avião, dessa vez pisando em todos os degraus, em vez de sair caindo por eles. Segui o fluxo e cheguei numa fila enorme da imigração, como era de se esperar. Tinha uma fila especial, mais rápida, pra quem tinha passaporte europeu. Acho que eles têm direito, né?

Puxei conversa com um pessoal da fila pra passar o tempo. Depois de alguns minutos conversando em inglês, percebemos que todo mundo falava português. Um cara tentava ligar pra a filha no Brasil, usando um telefone altamente high-tech, mas nenhum de nós sabia ligar interurbano em Portugal. E eu que antigamente achava o esquema do zero-operadora-81 complicado.

Lembrei da primeira vez que estive no mesmo saguão, há 1 mês, autista e sem saber o que me aguardava. Dessa vez eu já não estava mais tão autista, e já tinha muita muita estória pra contar. E dessa vez eu já sabia onde ficava o banheiro sem precisar passar meia hora procurando.

Sentei numa cadeira na sala de espera, e olhei pra o telão que passava uma novela. Isso em plena manhã. E não era uma novela portuguesa: era a nossa querida Terra Nostra, uma novela 100% de brasileiros fingindo ser italianos.

Enquanto os adultos tentavam se manter acordados, uma menina de aproximadamente 6 anos chamada Jéssica ficava correndo de um lado pro outro, toda animada. Ela falava português e alemão, e tinha uma energia infinita. Todo aquele entusiasmo dela fez o tempo passar bem mais rápido.

Do meu lado, também rindo da menina, estava um casal: uma brasileira e um alemão. Passei um bom tempo conversando com eles, embora a mulher tivesse que traduzir tudo, já que eu não falo alemão (ao contrário de Jéssica). E o marido dela também falava muito pouco português. Ela já morava na Europa há 7 anos, e estava indo com ele visitar a mãe.

No caminho do avião, eu e a mulher conversandos com um português que ia conhecer o Brasil. Foi triste ter que dizer pra ele ter muito cuidado por onde andava, pra preferir táxis em vez de ônibus, não sair sozinho à noite pela rua, etc. É a dura realidade para a qual eu esqueci que estou voltando.

Ainda assim, estranhamente, eu continuo doido pra voltar.

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~ por Emannuel em [ janeiro 30, 2008 ].

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