Quartier Latin

•[ janeiro 21, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Panthéon de Paris

Fome: uma força que move o ser humano. Já pensando em onde eu iria comer, escolhi como próximo destino o Quartier Latin. Foi lá que eu encontrei Paty pela primeira vez, e foi lá que eu vi um monte de lachonetes low-cost para estudantes lisos. Então era lá que eu ia comer, quando a fome apertasse.

No entanto ainda era cedo, dava pra andar muito pelo bairro. Esse nome, Latin, é uma referência àquela nossa querida língua morta, o latim mesmo, que basicamente só é relembrada pelos estudiosos. E são justamente estes estudantes que estão espalhados pelo bairro, já que esta é a área das universidades. Creio que as mais famosas sejam o Collège de France e a Sorbonne.

Collège de France     La Sorbonne     Place de la Sorbonne

Cheguei de frente pro Pantheon, mas não entrei nele, e não me lembro por quê. Mas olhando pra a foto agora, deu vontade, também não sei por quê. Vontades misteriosas de um turista que muda de idéia a cada minuto.

Ao lado do Pantheon, fica a igreja Saint Étienne du Mont, que contém os restos de St Geneviève (é, a padroeira de Paris que eu vi em Luxembourg). Também não entrei lá, mas agora já lembrei o motivo: a fome bateu.

Segui até onde eu sabia que tinha lugar pra comer. O interessante foi ver que eu estava muito de cara pra a Catedral de Notre Dame, só que do outro lado da ponte. E dava pra ver melhor do que se eu tivesse mais perto. Eu acho massa quando eu reconheço um ponto turístico sem precisar olhar no mapa, pois eu me sinto cada vez mais em casa em Paris.

Place des Grands Hommes, com o Panthéon ao fundo     Église de Saint-Etienne-du-Mont     A Notre Dame, vista do outro lado do Sena

Enquanto pesquisava preços, parei de frente pra uma creperia (lembrei de uma sugestão de Alessandro). Do lado de fora, três clientes conversavam, e um deles levantou pra me dar boa tarde. Achei estranho, pois ele foi simpático demais pra ser parisiense.

Depois de alguns minutos olhando pro menu na porta, percebi que ele era o dono da creperia, e tinha sentado com os clientes pra conversar. Aí fez mais sentido. Mas ainda assim, foi algo sociável demais pra um parisiense.

Por 7 euros, comi um crepe salgado e um doce. O salgado era algo com ovo (meio exótico, mas ainda assim bom). O doce foi um crepe de Nutella. Isso mesmo, Nutella. Putz, que negócio gostoso. Ganhei meu dia.

Bulu Bulu Hakuna Matata

•[ janeiro 21, 2008 ] • 4 Comentários

França Paris
O carrossel de Amélie Poulin, em Montmartre

Pra não dizer que não encontrei nada de Amélie Poulin, encontrei o carrossel. Também, se eu não tivesse visto esse, eu era cego.

Quando eu tava quase saindo da praça pra ir embora, um senegalês me parou pra falar alguma coisa. Como era o começo do dia, eu dei uma chance pro cara. Acho que ele se apresentou como uma espécie de artista, mas tava mais pra pega-turista mesmo.

Primeiro ele pediu pra eu estender o dedo (sem compromisso) pra ele poder usar como apoio pra dar um monte de nó numas cordinhas coloridas. Eu disse que não queria, mas ele “calma, é sem compromisso”. Então eu deixei.

Enquanto ele dava os nós, ele repetia coisas em senegalês, inclusive uma que eu decorei: “Bulu bulu hakuna matata” (impossível nao decorar). Nas primeiras vezes foi engraçado, mas depois já ficou irritante.

Quando ele terminou de fazer o nó, pediu meu pulso. Mais um pouco e acho que ele pedia meu braço inteiro. Quando vi o que ele pretendia (amarrar a “obra” dele no meu braço), eu tirei e disse que não queria. O “sem compromisso” mudou pra “espere, não vai ser caro!”.

Eu disse que não e saí de perto. Ele provavelmente ficou puto comigo, pois acho que me xingou em senegalês. Mas pelo menos ficamos quites, pois eu também fiquei puto com ele.

Eu mereço mesmo. Tenho que parar de dar bandeira de turista.

Quase no topo de Paris

•[ janeiro 21, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Baslica do Sacre-Coeur

Essa é a Sacre-Coeur. Uma basílica muito bonita que, sozinha, vale a ida a Montmartre. Ainda bem, porque se fosse depender do resto… Bom, não pode tirar foto lá dentro, então só indo mesmo pra ver. Não tem como se arrepender.

A basílica possui o segundo ponto mais alto de Paris. O primeiro continua sendo a torre Eiffel.

Seguindo a dica do guia, fui visitar as criptas. Mas quando vi que eram 5 euros, parei na porta e fiquei na dúvida se valia a pena. Enquanto eu mandava mensagem pra Alessandro, pra perguntar, ouvi a conversa de dois brasileiros:

– Ih, não vamo entrar não.
– Ué, por que não?
– 5 euros? É só uma cripta po!

Que bom que eu não era o único pirangueiro por ali. Eles desistiram, e eu desisti também. Voltei pra a outra parte boa de Montmartre: a vista de Paris. É legal ver essa cidade enorme quase caber numa única foto. Um fato curioso: Paris só tem metade da área do Recife.

Baslica do Sacre-Coeur     Vista de Paris, do topo de Montmartre     Escadaria em frente à Sacre-Coeur

Por causa da altura, ventava muito, e fazia um frio danado. Sentei num dos bancos pra ver qual seria minha próxima visita de hoje. Foi aí que ouvi as vozes dos dois brasileiros no banco do lado, falando sobre coisas aleatórias da época do colégio.

De certa forma, foi legal ouvir uma conversa em português. Pensei em puxar assunto, pois andar sozinho já tava começando a cansar de novo. Mas fiquei tão entretido com o meu mapa que, quando percebi, eles tinham ido embora.

Então voltei a minha viagem solitária.

O misterioso destino de Amélie Poulin

•[ janeiro 21, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Escadarias e ladeiras de Montmartre

Segunda-feira, uma nova semana começou. Fui à Montmartre, em busca de Amélie Poulin. Pra quem não sabe quem é Amélie Poulin, eu me nego a explicar. Vá na locadora, aluge o filme e descubra.

A verdade é que, por mais que eu tentasse encontrar os locais do filme, a única coisa que encontrei foram escadas e ladeiras. Essa área da cidade é construída sobre um morro, e praticamente não tem uma rua horizontal.

Foi como voltar pra Olinda, só que sem o sol e sem o carnaval. Se bem que, depois de subir e descer ladeira por mais de uma hora, eu já tinha começado a suar. Mandei uma mensagem pra Alessandro dizendo que agora entendia porque ele não gostava de Montmartre.

Ladeiras de Montmartre     Escadarias de Montmartre     Escadarias de Montmartre

Antes de começar a subir ladeira, eu tirei uma foto do Moulin Rouge, mas ela simplesmente sumiu. Vai ver eu apaguei sem querer. Não sabe o que é o Moulin Rouge? Então aproveite que vai na locadora e alugue esse filme também.

Notícias do além (no caso, do interior)

•[ janeiro 20, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Gi, no alto de uma montanha em Clermont-Ferrand

Há uma semana, Gi foi embora de Paris pra fazer o estágio dela numa cidade chamada Clermont-Ferrand, que eu já sabia que tinha fama de ser interior brabo (pelo menos, um interior francês).

Ela costuma se meter em roubadas de vez em quando (e não tem sido diferente aqui na Europa). Hoje, peguei o celular pra rever algumas mensagens sobre o desespero dela, o que sempre me faz rir.

[Dom, 13]
“Putz, tô com a impressão de que eu me enfiei num buraco.”
[Seg, 14]
“A sensação só faz aumentar…”

Ela chegou a subir numa montanha pra morrer de frio (a da foto aí em cima, que eu peguei do orkut dela), e até mensagem em francês ela mandou. Depois disso, desliguei o celular em Londres, e só liguei quando voltei na quinta-feira.

[Qui, 17]
“Agora já tô melhor. O estágio é legal, mas em casa eu tô congelando, tá sem aquecedor. Pelo menos, até agora eu só gastei 5 euros a semana toda.”
[Sex, 18]
“Ontem a gente foi pra uma cidade vizinha, mas começou a nevar no meio da estrada. A volta foi punk.”
[Sab, 19]
“Que saudade de vocês e de Paris! Manda mensagem mesmo porque internet aqui é difícil…”
[Dom, 20]
“Aqui é interior e você tem que se preparar e comprar a comida no sábado a noite, senão passa fome no domingo. Não tem NADA aberto nessa cidade. E ainda por cima vi uma ópera horrorosa hoje.”

Ainda bem que o objetivo dessa parte da viagem dela é o estágio, e não fazer turismo pela cidade. Quem ler esse post pode achar que ela é o mal humor em pessoa, mas não é verdade. Eu é que selecionei as mensagens de propósito pra deixar ela com raiva.

Por sinal, ela deve ter uma paciência enorme pra aguentar a quantidade de leseira que eu mando nas mensagens (eu devo mandar uma por hora). É isso que dá ficar andando sozinho pela Europa.

Gi, valeu pela companhia mais uma vez! Mesmo que agora seja via texto.

Um dia de nerd, pois ninguém é de ferro

•[ janeiro 20, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Parte do álbum do orkut, finalmente atualizado

Como todo domingo que se preze, acordei tarde. Mesmo pagando tudo em euro e tendo que aproveitar cada hora livre, eu mereço um descanso. Nem que seja pra não ficar doente de novo. Em dias como esse, não tem coisa melhor do que lasanha de microondas.

Pelo visto, hoje é dia dar notícias pra a nave mãe. Depois de muita insistência de pelo menos umas 10 pessoas, resolvi escolher algumas fotos da viagem até agora pra mostrar pro povo do Brasil. Tem um monte de janela pulando aqui no msn, perguntando o que eu fiz, pra onde eu vou, se eu tirei foto com a Monalisa, e coisas do tipo.

Até então, eu meio que ignorei os pedidos, mas agora resolvi dar uma colher de chá. O orkut foi atualizado, mandei algumas fotos por email, minha mãe aprendeu a usar o msn só pra falar comigo, contei mil vezes a mesma coisa pra várias pessoas… A idéia de criar o blog me parece ainda melhor agora, só pelo fato de não ter que ficar repetindo tudo de novo.

E olhe que ainda falta um terço da viagem.

Aprenda química na França: Aula 02

•[ janeiro 20, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
A torre brilhando à noite, e os carros passando voando pela praça

Formula de hoje: Absolut + Sagatiba = Perda de memória

Eram 2 da manhã. Dois minutos depois, eram 3 da manhã.

Como foi isso?