Salvo pela Torre

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
A torre no inicio da noite, vista da ponte Bir-Hakeim

A linha 6 do metrô (verde clara) tem uma peculiaridade interessante: mais da metade dela fica acima do nível da cidade, ao invés de ser toda subterrânea como as outras. Isso torna ela de certa forma mais agradável, pois você pode ir olhando a cidade no caminho, sem precisar passar pelo engarrafamento de estar num ônibus.

Uma das partes mais legais é passar por cima da ponte Bir-Hakeim, pois você dá de cara pra a torre Eiffel. A primeira vez que eu fiz isso, eu fui pego de surpresa, e não deu tempo de tirar foto. Na estação Bir-Hakeim, é possível fazer a troca entre a linha 6 e a linha do RER que passa em Versailles.

Mas nada disso importa, pois a estação Bir-Hakeim está fechada pra obras até sei lá quando, logo eu não pude pegar a linha 6 na volta. Pra pegar, eu teria que andar até a estação seguinte, que eu nem sabia pra que lado ficava. Resolvi voltar andando mesmo e, quando vi a torre quase do meu lado, sabia que não podia ser longe.

Por sinal, de uns dias pra cá, comecei com uma mania de tirar foto da torre Eiffel toda vez que eu passo por ela. E considerando o quão perto ela fica da casa de Alessandro, já dá pra considerar uma compulsão.

Foi interessante conhecer esse extremo oeste da cidade (mesmo que pra isso tenha precisado subir centenas de degraus). Nessa vida de turista, a gente fica tão preocupado em visitar os lugares famosos que acaba esquecendo de ver o que é que fica ao redor de casa.

R.E.R., o outro metrô

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
O longo caminho de volta dentro de Versailles

O metrô de Paris é a maior tranquilidade. Ja o RER, o metrô que liga Paris aos subúrbios, não é tão legal assim. Ele é maior e mais confuso. Pra ir pra Versailles, a mulher que me vendeu o ticket me deu um papel, indicando que existiam 4 tipos de diferentes metrô que correspondiam à linha C, e que eu podia pegar 2 deles. Bom, consegui chegar.

Quando fui voltar, notei que eu não sabia qual. Tinham uns 4 OUTROS tipos de metrô, e eu não sabia qual pegar pra voltar. Ainda bem que Versailles era o terminal, senão eu também teria que descobrir a direção. No final, percebi que eu podia pegar qualquer um.

Em algum momento, enquanto eu esperava o metrô partir, um cara entra e pergunta em inglês: “Essa é a linha tal?” (não lembro o nome, mas era a outra). Ninguém respondeu. Ele perguntou de novo. Ninguém respondeu. Quando ele ia perguntar pela terceira vez, alguma alma caridosa disse, também em inglês: “tanto faz a linha que você pegar, as duas vão pro mesmo lugar!”

Por um lado, isso me tranquilizou. Por outro, eu percebi que o que falam sobre os franceses é verdade. Um cara perto de mim comentou pra alguém do lado: “também… o cara vem perguntar em inglês, queria o quê?”

Ainda bem que eu estudei francês antes de vir pra cá, embora mal tenha conseguido usar. Pelo menos já evita que eu leve fora de graça.

Os domínios da Rainha

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Braço direito do Grand Canal

Esse é o braço direito do Grand Canal, que eu não imaginava que ia chegar. Caramba, esse território de Versailles é MUITO grande. É muito bom ver um parque e um bosque desse tamanho ser conservado até hoje.

Nesse ponto fica o domínio da rainha Marie Antoniette (acho que a palavra em português não deve ser “domínio”, mas eu vou chamar assim mesmo). A primeira construção nessa área é o Grand Trianon. Eu não entendo quase nada de arquitetura ou decoração, mas na minha opinião isso é o que hoje em dia se chama de brega. Por dentro e por fora. Vejam com os próprios olhos.

Jardim em frente ao Grand Trianon     Salão no Grand Trianon     Salão no Grand Trianon

Quando a gente entra, eles revistam a bolsa e dizem pra a gente manter a bolsa na frente, onde se possa ver. Isso é o tipo de coisa que deixa a pessoa bem tranquila. Nessa visita ao Grand Trianon, tinham vários indianos. É engraçado como muitos turistas acabam seguindo exatamente o esteriótipo que a gente imagina do seu país. Quem vê ao vivo acaba entendendo.

O resto da jornada foi bem solitária. Caminhar pelo parque é algo agradável, mas deve ser bem melhor em outras estações. Dei de cara com uma fonte bem rebuscada, enquanto tentava descobrir o que exatamente era o domínio da rainha. Acabei descobrindo que era tudo aquilo por onde eu andei.

Corredor no Grand Trianon, com alguns indianos     Fonte nos domnios de Marie Antoniette     Petit Trianon

O Petit Trianon estava fechado para visitas, não lembro bem porquê, então segui para o Hameau de la Reine, uma área típica medieval que, por algum milagre, Napoleão decidiu poupar (já que ele mandou destruir quase tudo que fizesse referência à família real).

Como era de se esperar, eu me perdi nessa imensidão do parque, já um pouco cansado. Alessandro disse que valia a pena ver o pôr do sol nos domínios mas, pra ter um pôr do sol, era preciso primeiro ter o sol, e esse mal apareceu. Uma pena, hein?

Uma das árvores bizarras dos jardins de Versailles     Jardin Anglais     Hameau de la Reine

Ah, o sol…

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Bassin d’Appollon, na hora do sol

Segundo a previsão do tempo de Alessandro (na qual eu aprendi a acreditar), faria sol à tarde em Versailles, que seria o tempo de eu entrar e sair do palácio.

E não é que ele tinha razão? O sol apareceu, e eu pude tirar essa foto em frente ao Bassin d’Apollon. Depois ele sumiu e não voltou mais. Na próxima previsão, eu pergunto se ele vai aparecer mesmo ou só fazer uma participação especial.

Bateu a fome, e tinha uma placa de um restaurante por lá. Fui seguindo as placas mas, antes de chegar no tal restaurante, tinha uma barraca de pães da Paul (loja bem famosa lá, tem uma do lado de casa). Acabei ficando por lá mesmo e comendo um baguete gigante, que me lembrou os tempos em que eu comia antes de ir pra a aula do francês.

Foi até uma boa economia, pois custou só uns 4 euros (e no restaurante eu não ia gastar menos de 15). Só que não adiantou muita coisa pois, 5 minutos depois, eu já tava com fome de novo.

Então resolvi variar e comer em outra barraca que vendia um pão prensado na forma, que eu esqueci o nome agora. Esta até bem gostoso, mas não deu muito pra passar a fome. Eu devia ter ido desde o começo no restaurante mesmo.

Então deixei pra lá essa história de comer e segui o meu passeio.

As fontes e os jardins planejados

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
A vista para os jardins planejados de Versailles

Uma dúvida que eu tenho toda hora é sobre que língua eu devo usar pra abordar um desconhecido. Muitas vezes eu tentei falar francês (pra evitar respostas mal-educadas dos parisienses), e acabei recebendo a resposta em inglês mesmo. Isso porque, na condição de turista, eu acabava visitando lugares lotados de turistas. Vou ter que prestar mais atenção pra poder distiguir os franceses dos outros.

Essa foto, no caso, foi tirada por um grupo de alemães, que estavam sentados na escadaria que fica logo depois do château. Não sei se eram alemães mesmo, mas tinham a maior cara. O que importa é que falavam inglês e que um deles tirou a foto sem problemas.

Esse aí atrás é o Bassin de Latone, e por trás dele dá pra ver os vários jardins planejados de Versailles. Infelizmente, os jardins perdem boa parte do sentido no inverno, pois ficam só os galhos sem graça das árvores. A maioria dos jardins possui uma fonte ou mais fontes espalhadas no meio do labirinto. Por sinal, bote labirinto nisso. Quando Gi disse que era pra eu “me perder” dentro deles, não pensei que era tão ao pé da letra.

Bassin de Latone     Fonte num dos jardins     Fonte num dos jardins

Achei que ia passar umas 2 horas andando pelos jardins, mas com meia hora eu já não via mais muito sentido em continuar por ali, pois tava tudo igual. Então terminei de descer a ladeira, até chegar no Bassin d’Apollon, de cujo centro saem cavalos da água. Confesso que não entendi muito esses cavalos perdidos no meio do bassin, então acredito que sejam mais uma de nossas queridas fontes desligadas.

Bassin d’Apollon     As árvores sem folhas dos jardins     O pouco que se via dos jardins no inverno

Château de Versailles

•[ janeiro 19, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Château de Versailles

Não sei como, acordei cedo. E sei menos ainda como estava, às 10 da manhã, na porta do Château de Versailles (que fica fora de Paris). Tudo isso porque o ticket do RER (o trem de Paris) é mais barato no sábado pra quem tem até 25 anos. Como sempre, eu aproveito todas as promoções enquanto sou novo.

Passei o dia todo lá, o que deve render muita história. Mas prometo que vou tentar ser mais conciso do que nos posts de ontem.

Quando cheguei em frente do palácio, achei bem estranho, pois ele não parecia com o que eu tinha visto em algumas fotos. Possivelmente é porque a fachada tá em reforma.

Mandei logo uma mensagem pra Gi me orientar sobre o que fazer, pois ela veio no sábado passado, e eu não tava afim de perder tempo. Ela disse que a primeira coisa era andar pelo castelo, vendo tudo ou até enjoar (o que imaginei que não fosse demorar muito).

Ainda bem que eu me enganei e, pelo contrário, achei até bem interessante. Pra os interessados, o passaporte pra ver tudo é 16 euros. Achei justo, vale a pena. Comecei pela pequena capela, onde a princípio não podia tirar foto, mas quando vi várias pessoas tirando, passei a ignorar também a placa de proibição.

Capela de Versailles     Salão dos Espelhos     Um dos salões do rei

O audioguide é algo que ajuda muito nessas horas, pois você vai ouvindo um pouco da história de tudo que você vê, no seu ritmo (mais uma dica de Gi). Passei pelo famoso Salão dos Espelhos, um dos corredores principais do château, que tem entrada para os vários aposentos, todos decorados de forma, digamos, nada econômica.

Uma parte muito legal do castelo é o chamado Museu de História da França, que conta, através de quadros gigantes, as conquistas do exército Francês, muitas delas incluindo as batalhas vencidas por Napoleão. No final, há um corredor de estátua de celebridades, como René Descartes, Rousseau, Voltaire, e o próprio Napoleão.

Musée de l’Histoire de France    Pinturas sobre as conquistas de Napoleão    Busto de René Descartes    Estátua de Napoleão I

Quando saí do castelo, desvendei o mistério: descobri que todo mundo tira a foto da parte de trás do château, e não da frente. Eis então, aí em cima, a minha foto na parte de trás.

Pronto, cansei de verdade

•[ janeiro 18, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Mapa da saäa do Louvre, pela pirâmide invertida

Não sei onde arrumei energia pra quase 12 horas nas ruas de Paris. Não sei onde eu tava com a cabeça quando fiquei no Louvre até quase a hora de fechar. A única coisa que eu sei é que eu queria chegar em casa e desabar na cama.

Chegando no hall principal do Louvre, fiz o mesmo caminho da outra vez pra sair (afinal, eu não ia arriscar me perder a essa altura). No trajeto, fui lembrando do que aconteceu na semana passada.

Lembrei de ter derrubado meu mapa no chão do banheiro e ter ficado andando com um mapa molhado a noite toda, já que não tem um único lixeiro no museu. Gi ficou com pena e me deu o mapa dela (o terceiro!).

Lembrei também de uma espécie de cambista querendo vender pra Gi um ticket de metrô na saída do museu, e a gente altamente desconfiado. Na verdade, a máquina tava quebrada e ele só queria ajudar. Coisa de primeiro mundo.

Lembrei da gente passando pela pirâmide invertida e ficando triste porque, como era de noite, ela tava escura demais pra tirar uma foto decente, mas a gente tirou assim mesmo. Tenho que admitir que a outra visita com Gi foi bem mais divertida.

Já nessa semana, eu quase derrubei o mapa no banheiro de novo, a pirâmide tava escura do mesmo jeito, mas teve uma novidade: a estação de metrô tava fechada! Quer dizer, pelo menos a entrada pelo museu. Tive que dar uma volta danada, me perder 2 vezes, passar 10 minutos olhando pro mapa, até finalmente encontrar a entrada alternativa lá fora. Isso é coisa que aconteça às dez da noite?

Enfim, voltando pra casa de metrô, morrendo de sono, a sensação de alívio que eu sentia acabou sendo interrompida por uma lembrança repentina: amanhã eu tenho que acordar bem cedo, pra dar tempo de ir pra Versailles.

E que fique bem claro: eu tomei banho quando cheguei em casa.