Museu do Louvre: dessa vez é sério

•[ janeiro 18, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Pirâmide do Louvre

Enfim, voltei ao Louvre. E, dessa vez, pra visitar o museu como deve ser feito: conhecendo o território com antecedência.

Dado o tamanho do museu, Alessandro me indicou algumas (várias) obras em que eu devo me concentrar. O restante, só se sobrar tempo. Como além de hoje ainda tenho a próxima sexta-feira, dá tempo de ver tudo com calma. No entanto, “calma” é uma palavra que não existe no meu dicionário turístico, então acabei vendo tudo logo hoje por garantia, caso eu não consiga voltar na próxima semana.

Foram quase quatro horas andando por esse labirinto que chamam de museu. E quando resolvi sair de lá, levei cerca de meia hora pra conseguir achar a saída, e olhe que eu tinha dois mapas na mão (um em francês e outro em inglês).

É muita história, muita arte, muita informação pra qualquer pessoa absorver de uma vez só. Acho que, sempre que eu vier a Paris (como se eu viesse todo ano), vou pelo menos uma vez no Louvre, pra poder prestar atenção no que eu não consegui nas outras vezes.

Devido à quantidade enorme de coisas que eu tenho pra escrever sobre essa visita, resolvi fazer o post numa página separada. Isso é pra evitar que as pessoas que não são muito ligadas em cultura (como eu era no começo da viagem) desistam de ler o blog a partir desse momento. Falo por experiência própria.

Detalhes da visita
Clique aqui para ver os detalhes da visita ao Louvre
https://euromano.wordpress.com/louvre/

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Cansou? Senta aí e relaxa!

•[ janeiro 18, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Entrada lateral do Museu do Louvre

Aprendi algumas técnicas observando os franceses: quando você entrar num lugar pra almoçar ou jantar, use bem o seu tempo. Não precisa ter pressa pra comer, pra isso existe a entrada. Depois disso, dá pra comer tranquilamente o prato sem desespero.

Depois de terminar de comer, pegue um livro, um jornal, ou qualquer coisa e fique lendo com calma. Se o restaurante não estiver lotado, ninguém vai aperrear você pra sair e liberar a mesa (como fazem muito no Brasil).

Foi assim que eu passei uma hora no restaurante, lendo o guia de Paris, só esperando dar a hora certa. Mas… hora pra quê? Pois é, a sexta-feira ainda não terminou. Mesmo depois de toda essa caminhada pela cidade, eu ainda arrumei coragem pra ir no Museu do Louvre.

Eu devo estar ainda no pique de Londres. Acho que vou com mais calma nos próximos dias, senão eu acabo de ver Paris daqui pra quarta-feira.

Mas, quanto a essa sexta-feira, a noite estava só começando.

Antes que a fome me mate primeiro

•[ janeiro 18, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Fonte na calçada, em St Germain de Près

Depois das duas primeiras semanas de viagem sem comer direito (primeiro por causa da doença e depois por pirangagem mesmo) e de perder 5kg, até agora só recuperei um dos quilos. Chegou a hora de abrir um pouco mais a mão pra gastar em almoço.

Enquanto procurava o que comer, dei de cara com esse pedaço de chão quebrado. Cheguei mais perto pra tentar entender, e vi que era uma fonte, por sinal, uma das fontes mais criativas que eu já vi até agora.

Esse foi o sinal de que eu cheguei em Saint Germain des Près, um bairro conhecido por seus cafés, frequentados por intelectuais, filósofos e políticos. Seus dois cafés mais conhecidos são o Les Deux Magots e o Café de Flore.

Rue de Buci, cheia de cafés     Café de Flore e Les Deux Magots, os cafés mais famosos do bairro     Cervejaria Lipp, frequentada por polôicos

O nome dessa região é dado pela sua igreja mais conhecida, a Église Saint Germain des Près (como era de se esperar). Tempos atrás eu diria: “caramba, que igreja bonita, cheia de vitrais, esculturas de santos, etc”. Perdoem-me os arquitetos, historiadores e pessoas do ramo, mas nesse momento, eu só pensava: “É… outra igreja.”

Igreja St Germain des Près   Igreja St Germain des Près   Igreja St Germain des Près   Igreja St Germain des Près

Lá fica o Musée Delacroix. Passei na frente, mas não entrei. Lá também tem uma espécie de mercado ou galeria, o Marché St Germain, mas pra mim tá mais pra um shopping mesmo. Como eu tava procurando um lugar pra comer, e não roupa pra comprar, passei bem rápido.

Cheguei num cruzamento na Rue de l’Université (perto da Faculté de Médécine), e vi dois restaurantes, um de frente pro outro. Por lei, os cardápios devem ficar colados na porta. Então, olhei o menu do primeiro. Depois, olhei o do segundo. E do primeiro. E do segundo novamente. Com a fome que eu tava (às 17h), eu não tinha mais cabeça pra decidir. Por isso, “minha mãe mandou eu escolher” o da esquerda.

Passei uns 10 minutos escolhendo o prato, mas escolhi. Quando chegou, era uma coxa de galinha gelada, uma folha de alface com tomate, e um arroz qualquer que eu não lembro. Devia ter tirado uma foto, pra poder mostrar com o que eu ia ter que me sustentar o resto da noite.

Saint Sulpice

•[ janeiro 18, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Entrada da Igreja St Sulpice

Após atravessar o jardim, passei pela porta do Senado, mas com a quantidade de guardas que tinha na frente e de placas que diziam “défense d’afficher”, eu fiquei com medo de tirar foto e a polícia correr pra cima de mim.

Então segui direto pra a praça de St Sulpice, embora quando cheguei lá não vi a praça, pois ela está em reforma. Mas ainda tinha a Igreja de St Sulpice, a segunda maior de Paris (só perdendo para a Notre Dame). Ela foi construída sobre uma igreja bem menor que havia antes.

Essa igreja é mais um dos locais franceses citados no Código Da Vinci, quando fala da Linha Rosa. Como eu só descobri isso depois que saí de lá, não tirei nenhuma foto dessa parte.

Dizem que a arquitetura da igreja é perfeitamente harmônica… se você ignorar as duas torres da frente, que nem são iguais entre si. Na verdade, eu nem pude ver a torre norte (a da esquerda), pois ela também estava toda coberta para reforma.

Na obra, há placas explicando o motivo da reforma, assim como todo o trabalho de restauração que vem sendo feito na igreja e nas obras que estão dentro dela. É impressionante como o tempo pode destruir as coisas. Também é incrível a capacidade do homem de recuperar o que foi perdido.

Fachada da Igreja St Sulpice, em reforma  Interior da Igreja St Sulpice  Altar da Igreja St Sulpice  Interior da Igreja St Sulpice

Jardin du Luxembourg

•[ janeiro 18, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Palais du Luxembourg

Depois de uma hora ou mais perdido, consegui chegar onde eu queria: o Jardin du Luxembourg, o maior parque da cidade, com mais de 200 mil m².

Pouco antes da entrada fica o Jardin Marco Polo, com uma fonte de cavalos marinhos esculpidos em bronze por Carpeaux. A Fontaine de l’Observatoire, como era de se esperar, estava desligada, mas pelo menos nem todo o verde do jardim tinha ido embora com o inverno.

Fontaine de l’Observatoire     Fontaine de l’Observatoire, pelo ângulo oposto     Jardin Marco Polo

É preciso caminhar um pouco até chegar no palácio. Ao redor dele, há inúmeros jardins: pontos altamente turísticos, mas que devem ser mais interessantes em outras estações. Só pelo começo, já deu pra notar que eu ia encontrar muitas estátuas de bronze pelo caminho.

O Palais du Luxembourg, que já foi residência real, prisão e até um quartel-general alemão, hoje em dia é a sede do Senado francês. Em frente ao palácio, fica o Grand Bassin, uma espécie de lago artificial, onde as pessoas costumam ir para relaxar. Pena que, com essa chuva, as cadeiras ao redor dele estejam todas vazias.

Jardin du Luxembourg     Palais du Luxembourg e o Grand Bassin     Grand Bassin, com as estátuas ao redor

Em torno da praça principal, há várias esculturas de santos, sendo uma delas a de St Genevieve, a padroeira de Paris, que rezou para que a cidade fosse salva dos ataques no ano 451 e, aparentemente, deu certo.

Por ali, existem algumas partes cobertas, onde vi várias pessoas descansando, então sentei pra ler no Guia de Paris sobre isso que eu estou escrevendo. Pois é, Alessandro me convenceu que a viagem fica mais interessante quando você sabe o que exatamente está visitando.

Ele disse inclusive que ia fazer perguntas sobre o que eu visitei, pra ver se eu realmente prestei atenção. Isso sim é pressão.

Estátua da St Genevieve, padroeira de Paris     Entrada lateral do jardim, pela rue de Medicis     Vista lateral do Palais de Luxembourg

No caminho de saída, passei por dois lugares que Alessandro falava sempre. O primeiro foi a Fontaine des Medicis, uma fonte projetada não se sabe exatamente por quem, mas foi a pedido da rainha Marie de Médicis.

O outro era o museu com a exposição do pintor italiano Arcimboldo, que mostra retratos de pessoas feitas com frutas e verduras. É, é algo bem bizarro. Por isso que ele ainda não conseguiu me convencer a ir lá.

Monumento a Eugène Delacroix, famoso pintor francês     Fointaine des Medicis     Museu du Luxembourg, com a exposição de Arcimboldo

Como eu saio daqui?

•[ janeiro 18, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Lion de Belfort, que simboliza a resistência do coronel Denfert-Rochereau

Após um pouco de treino, é muito fácil se achar na Europa. Com um mapa na mão, observando as várias placas espalhadas, não demora muito pra alguém descobrir onde está. No entanto, tem uma questão que vez por outra me atormenta: pra que lado eu vou?

Num cruzamento de duas ruas, não é trivial descobrir pra que lado fica o norte (ainda mais num dia sem sol). Agora imagine o mesmo pra um cruzamento de QUATRO ruas, que é o caso da praças grandes como a Denfert-Rochereau.

Tentando ir em direção a Luxembourg, acabei andando 1km ladeira abaixo na direção oposta até me dar conta. E sempre que eu abria o mapa, vinha a chuva quase desintegrando o papel (e não tinha lugar pra eu me abrigar).

Mandei uma mensagem pra Gi perguntando onde eu encontrava outro mapa daquele, (afinal, eu peguei esse dela), pois ele não ia durar muito nesse tempo chuvoso. Ela respondeu que pegou na Gare du Nord, por onde eu passei ontem. E disse também que eu era turista muito fuleiro por não saber isso. Eu mereço mesmo.

Montparnasse, um bairro sem graça

•[ janeiro 18, 2008 ] • 3 Comentários

França Paris
Torre Montparnasse, vista da saäa da estação de metrô

Amanheceu, e continua chovendo de vez em quando. Algo me diz que eu não vou gostar muito de Paris nos próximos dias. Mas como eu não posso ficar em casa esperando o tempo melhorar, comecei minha saga pelo bairro de Montparnasse.

O nome do bairro é uma referência ao monte Parnasse, a residência das musas da mitologia grega, devido à grande quantidade de artistas que o frequentavam no século 19. Só pra ficar claro, eu odiei minha visita a essa parte de Paris. Não sei se foi por causa da chuva, ou porque eu simplesmente achei o bairro altamente sem graça, considerando tudo que eu vi até agora.

Passei por uma estátua bem feia e bizarra feita por Rodin. Eu sei que arte é algo subjetivo, mas eu não imagino ninguém olhando pra ela e dizendo que gostou.

Na verdade, o ponto alto desse bairo é a Torre Montparnasse. E é alto mesmo. A torre tem 210 metros e é o maior arranha-céu da França. Como segunda construção mais alta de Paris, só perde pra a torre Eiffel. Há quem diga que, do topo da torre, tem-se a melhor vista da cidade, justamente porque se vê tudo, menos a torre.

Resumindo, esse bairro é feio pra caramba.

Estátua de Balzac, feita por Rodin     Torre Montparnasse     Torre Montparnasse

Cemitério de Montparnasse

Pra não perder a viagem (já que eu tinha perdido a vontade de andar por lá), fui visitar o Cimetière du Montparnasse. Lá estão sepultadas pessoas famosas como Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, um casal de filósofos existencialistas.

Como foi minha primeira visita a um cemitério na Europa, achei interessante a forma como as lápides são tratadas. Muitas delas são obras de arte, às vezes até fazendo referência à pessoa sepultada, como o caso de uma escultura sobre o túmulo do escultor Baltasar Lobo.

Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir     Baltasar Lobo     Túmulo de um casal japonês, rodeado de bonsais     Estátua sobre uma lápide

Ao visitar um cemitério como turista, tento evitar ao máximo pensar no que ele realmente é, ou representa. Não me agrada muito a idéia de lembrar que tanta gente assim já abandonou essa vida e provavelmente faz falta até hoje pra os que ficaram. Há algumas estátuas em lápides que passam exatamente essa sensação.

Tenho sorte de ainda não ter tido ninguém muito próximo nessas condições. Mas quando um dia isso acontecer (afinal, é inevitável), não sei se vai ser tão fácil assim não pensar em todos que estão sob a terra.

E esse clima chuvoso só deixa tudo mais triste.

Vários túmulos no cemitério Montparnasse     Uma das ruas quase vazias do cemitério     Génie du Sommeil Eternel - o Anjo do Sono Eterno