Roteiro de Paris, revisado e ampliado

•[ janeiro 17, 2008 ] • 4 Comentários

França Paris
O que ainda falta pra ver, segundo Alessandro

Depois dessa experiência em Londres, acho que estou menos medroso pra fazer essas viagens a lugares desconhecidos. Se eu tivesse pensado com mais antecedência, provavelmente iria pra Berlin na semana que vem, pois tenho muita curiosidade de conhecer a Alemanha.

Mas como não vou, tenho duas semanas pra conhecer Paris de cabo a rabo. Eu só não sabia o que fazer com todo esse tempo livre, afinal a cidade não é tão grande assim. Segundo minha irmã, vou aprender com os passarinhos até a piar em francês.

Fiz uma lista de 8 coisas que eu queria ver, entre bairros históricos, castelos, museus, etc. Depois que eu terminasse isso, eu inventaria algo mais. Então caí na besteira de falar pra Alessandro que não tinha mais quase nada pra ver. Ele virou pra mim e perguntou:

“Já fosse na Place Vendome? E no Musée Carnavalet? Viu o Pantheon? Visitou o Jardin des Plantes e o do Luxembourg? E a torre de Montparnasse?”

Ouvindo essa metralhadora de perguntas, corri pro meu caderno e comecei a anotar tudo que ele dizia. Ele abriu um arquivo que tem no computador com muito mais coisas que eu devo visitar. Anotei os lugares que eu devo entrar e os que eu só devo passar na frente. Anotei tudo. Minha lista de oito itens agora aumentou pra 42.

E, sinceramente, acho que não vai dar mais tempo de ver nem metade.

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Agora sim, um cidadão parisiense!

•[ janeiro 17, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Av Georges Mandel, próxima a casa de Alessandro

Como Alessandro previa, Paris finalmente esfriou… minha sorte não podia durar eternamente. Inclusive, hoje choveu. Odeio chuva, em qualquer estação.

A tarde e a noite foram de tarefas domésticas, coisas que são feitas por qualquer cidadão parisiense que mora só: lavar pratos, estender roupa, fazer compras no mercado, limpar o cocô do cachorro, etc.

Peraí… cachorro? Mas aqui em casa não tem nenhum cachorro!

E nem precisa ter. Basta você andar pelas ruas de Paris sem olhar para o chão que você faltalmente vai pisar em cocô de cachorro. Alessandro disse que é um costume comum dos parisienses levarem o cachorro pra passear, deixar ele fazer o serviço onde quiser e simplesmente deixar lá, esperando o sapato de outra pessoa recolher a sujeira.

Mais cedo ou mais tarde, todo habitante de Paris acaba pisando no presente deixado por algum canino. O detalhe é que só me avisaram isso depois de eu ter saído correndo na chuva sem olhar pro chão. Agora já posso me considerar oficialmente um cidadão parisiense.

Passei mais de uma hora pra conseguir me livrar do problema, que já era questão de honra, pois esse era meu único tênis que dava pra passar o dia todo andando. Mas consegui.

Eu já não gostava muito dos parisienses, talvez pelo que me falavam antes de eu chegar. Agora eu tenho raiva de um em especial: o dono do tal cachorro. Seja lá quem for.

De volta… aos celulares!

•[ janeiro 17, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Gare du Nord

Passar algum tempo totalmente sozinho tem lá suas vantagens, mas já foi tempo demais. Foram 3 dias, mas pareceu uma eternidade. Eu tava doido pra encontrar de novo meus amigos brasileiros em Paris.

Enquanto estava em território londrino, continuei sem conseguir mandar a mensagem no meu celular brasileiro. Detalhe é que, se eu tivesse vindo com meu amigo (como no plano original), esse ia ser nosso meio de comunicação. Ia ser uma beleza.

Falando em mensagem, ontem à noite chegou uma mensagem de Alessandro lembrando que eu não tinha visto o British Museum, aquele que eu passei na frente no primeiro dia. Caramba, esqueci completamente! E o pior de tudo é que ele ficava muito perto do hostel, e eu poderia ter ido ontem no fim da tarde. Bom, pelo menos eu já tenho o que fazer na próxima vez que voltar a Londres.

Caminho de volta

Assim como na ida, o Eurostar de volta também tinha pessoas de bom humor pra animar a viagem, mas dessa vez eu só quis saber de dormir, e foi o que eu fiz.

Quando o trem saiu debaixo do túnel do Canal da Mancha, era sinal de que eu estava novamente em território francês. Nessa hora, saí mandando mensagem pra todo mundo dizendo que tava de volta, quase chegando! Mandei também finalmente a mensagem pro meu primo, que respondeu logo em seguinda dizendo: “se eu fosse você, subia na torre”. Agora é tarde.

Chegando na Gare du Nord, tive que ligar três vezes até realmente conseguir falar com Alessandro. Eu sabia que eu tinha comprado um celular meio fraco, mas tô começando a achar que ele é bem ruim mesmo, pois vivia ficando mudo.

Mesmo voltando pra aquela cidade de pessoas frias e tristes, eu fiquei feliz em voltar pra um lugar familiar. Foi muito bom reencontrar Alessandro, mesmo sabendo que ele adora me aperrear, e que ele ainda vai fazer muito isso nas próximas duas semanas. Voltei a ter alguém pra conversar e pra falar das besteiras da vida.

Agora me sinto em casa de novo.

O último breakfast londrino

•[ janeiro 17, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Saäa do Generator Hostel

Lembrando do problema do meu cartão, resolvi testar pela manhã, e vi que ele realmente não conseguia abrir a porta. Só pude sair pro café da manhã quando tava com as malas prontas.

Fiquei comendo e olhando as malas no chão, com um medo danado de levarem (a paranóia nunca acaba). Chegou então uma menina e pediu perguntou se eu já tava saindo ou se podia olhar as malas dela enquanto ela pegava a comida. Isso me lembra que eu peguei meu breakfast com a mala nas costas.

Com a comida na bandeja, ela voltou e começou a conversar. Numa das poucas vezes em Londres, eu conversei com alguém e usei meu inglês pra alguma coisa. Quando perguntei de onde ela era, eu já imaginava a resposta, pois é minha sina: uma brasileira, de São Paulo.

Quando eu disse que também era do Brasil, ela também fez aquela cara de “nossa, mais um…”. Ela reclamou que mal conseguiu praticar o inglês dela enquanto estava em Londres, pois só encontrou brasileiro. Eu sabia exatamente o que era isso. Por isso, a gente continuou falando em inglês, e foi até mais divertido. Acho que se eu falasse em português, a conversa tinha acabado em menos de um minuto.

Mas no final só durou uns 5 ou 10, pois os dois estavam atrasados e cada um foi pro seu lado (e como minha memória não serve pra nada, não lembro nem o nome dela). Dessa vez, com um mapa na mão, levei apenas 10 minutos pra ir andando do hostel até a estação de trem. Aquele guia ainda me paga.

Nesses 3 dias em Londres, gastei apenas metade das libras que eu troquei quando cheguei na estação pela primeira vez. Infelizmente, quando troquei de volta pra euros, sobrou apenas um terço dos euros que eu trouxe. Odeio ser enrolado pelo câmbio, mas a vida é assim mesmo. Pelo menos, quando eu voltar pro Brasil não tem mais CPMF.

O Albergue, ou Madrugada dos Mortos (de sono e de calor)

•[ janeiro 17, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Rua em frente ao Generator Hostel

Peguei o iPod que eu trouxe emprestado do meu primo e deitei na cama. Acho que ele foi a salvação pra esse momento em que eu precisava ouvir algo familiar. Tentei ler um pouco do livro de Saramago que eu levei, mas acabei pegando no sono algumas páginas depois. Eu tinha achado o quarto um pouco quente, mas podia ser só impressão.

De fone de ouvido, percebi de longe um barulho de uns cliques. Era o holandês tentando abrir a porta e não conseguia, pois o cartão dele não funcionava por algum motivo bizarro. Desci da cama e abri a porta pra ele, que me agradeceu umas 3 vezes.

Saí rapidamente pra jantar: acabei indo na Pizza Hut mais uma vez, pois o fast food indiano da noite passada (esse Pizza Park da foto) não foi uma experiência muito boa. Quando voltei pro quarto do albergue, agora sim: o quarto estava um forno. Como eu normalmente já sou agoniado com calor, tentei abstrair.

Chegou então um novato no quarto: um alemão que morava em Barcelona e resolveu ficar em albergues até encontrar lugar pra morar. Ele ficou com a cama que era do argentino (o que eu achei estranho, pois não sabia que o argentino já tinha ido embora).

Fui dormir, tentando ignorar o calor. Depois de algumas horas, ouvi uma discussão e um abre e fecha de portas: o argentino tinha voltado. Aparentemente houve alguma confusão no hostel, e estava registrado como se tanto o argentino quanto o holandês já estivessem saído, e por isso uma das camas ganhou um novo dono. Eu, no caso, assisti tudo deitado na minha.

Após alguma confusão e idas na recepção viram que ainda tinha uma cama livre no quarto, e o impasse foi resolvido. Tirando a parte do calor.

No meio da madrugada, acordei pingando de suor. Sem brincadeira, a temperatura era a de Recife num ônibus ao meio dia, e olhe que eu dormi só de bermuda. Levantei da cama num pulo, saí do quarto e fui pro corredor, até conseguir voltar a uma temperatura decente. Quando tentei entrar de volta no quarto, agora era meu cartão que não pegava. Legal, não? Depois de algumas tentativas, eis que o holandês acorda, ouve e abre a porta pra mim… minha vez de agradecer.

O resto da noite foi bem complicada: dos 8 ocupantes do quarto, três roncavam numa sinfonia impressionante, enquanto eu e outro cara tossíamos sem parar. Sinceramente, não sei como ainda consegui dormir. Muito menos como consegui acordar às 8 da manhã.

E.T., telefone, minha casa

•[ janeiro 16, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
O pôr do sol por trás do City Hall

Apesar do céu aberto e de ainda estar no meio da tarde, o tempo já começava a ficar meio frio, pois o sol tinha se escondido por trás dos prédios. A bateria da minha câmera já estava quase acabando, o que indicava que minha visita a Londres não ia durar muito tempo.

Nesse momento, recebi uma mensagem no celular. Era meu primo contando novidades do Brasil, algumas boas, outras nem tanto. Comecei a pensar nas coisas que devem estar acontecendo enquanto eu estou longe. Lembrei da saudade que eu sinto das pessoas que ficaram na terrinha, de alguns mais do que de outros.

Escrevi uma mensagem de resposta, falando do sol que animou meu dia. Faleida minha dúvida sobre subir ou não na ponte. Falei dos tais problemas no Brasil, que eu achava que ia ficar tudo bem. Falei da saudade que eu tava da minha família e do meu primo (que é também meu companheiro de farra em Recife).

Escrevi o máximo que cabia numa só mensagem e mandei enviar. Depois de alguns segundos, a operadora disse que simplesmente não podia enviar a mensagem. Tentei outras três vezes, e nada de conseguir. Desanimei na hora. Creio que tem algo aqui nessa ilha que faz questão de me fazer sentir sozinho.

Sozinho, desanimado e com frio. Nessas condições, não pude fazer nada além de voltar pra casa. Ou melhor, pro albergue, que não chega nem perto de ser uma casa.

Tower Bridge, o fim do roteiro

•[ janeiro 16, 2008 ] • Deixe um comentário

Reino Unido Londres
Tower Bridge

Fiquei feliz de finalmente chegar no fim da caminhada, afinal não lembro de ter andando tanto num dia só como nesses dias em Londres. O ponto final era a Tower Bridge, uma ponte-báscula (que se abre para a passagem de navios) que é um dos pontos mais famosos da cidade.

Vi três tirando fotos, e acabei me rendendo e pedi pra tirarem uma foto minha.  Eu já tinha cansado de tirar todas as minhas próprias fotos.

Achei interessante o fato de uma construção antiga como essa (a ponte é de 1894) conviver tranquilamente ao lado de um prédio moderno como o da prefeitura (2002). Isso ilustra uma característica de Londres de misturar símbolos de várias épocas e ainda assim manter a harmonia.

Tower Bridge e a prefeitura de Londres     Tower Bridge     Tower Bridge

A Tower Bridge tem esse nome por ficar logo ao lado da Tower of London. A principal função ta torre era servir como uma fortaleza, um palácio real e uma prisão, especialmente para prisioneiros de status, como príncipes e até a futura Rainha Elizabeth I.

Tower of London e o rio Thames     Tower of London     Tower of London

Chegando nesse ponto, eu cumpri meu roteiro e praticamente vi tudo que tinha pra ver em Londres, no tempo que eu tinha. E o mais estranho: ainda eram 3 da tarde.

Parei pra refletir se valia a pena ou não subir na Tower Bridge. Sem saber o que fazer, sentei num dos bancos da praça, comecei a fazer umas anotações no meu caderno e fiquei aproveitando o sol. Afinal, ver o sol no inverno de Londres é uma oportunidade única.