Agora é tarde

•[ janeiro 30, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Rue de la Pompe, quase vazia

Não deu. São 4 da manhã e eu tô acordado, mas não emendei pela madrugada como eu planejava. Vinício acabou saindo muito tarde da faculdade e o frio tava muito grande pra alguém conseguir sair de casa. Mais um que eu não vejo mais.

Me despeço de Alessandro, pois a amiga dele acabou de chegar e tá lá embaixo esperando. Agradeço por toda a hospitalidade nesse tempo e por todo esse apoio pra a minha viagem dar certo. Descendo as escadas, fico pensando no quanto vai ser estranho não ter mais a companhia de alguém que eu vi e com quem conversei todos os dias, durante um mês.

Com as malas na mão, olho uma última vez pra a Rue de la Pompe, que há tanto tempo eu já chamo de casa, mas que em breve vai ser só a memória da rua vazia no meio da madrugada.

Entro no carro de Silvia. É estranho estar num carro depois de tanto tempo andando a pé ou de metrô. Vamos conversando o caminho todo, num trajeto que dura cerca de meia hora. Nem sei o que eu faria se não fosse a carona dela.

Silvia não só me trouxe até a porta do aeroporto, como veio comigo até a fila do check-in, pra evitar que eu me perdesse no caminho (algo que teria acontecido facilmente). Lá se vai minha mala, rolando pela esteira. Lá se vai Silvia, de volta pra sua casa e sua família.

E cá estou eu, esperando pra ir pra a minha.

Tem uma bicicleta no teto

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Dentro do restaurante Le Kiosque

Espanhola, japonesa, libanesa, polonesa… Depois de tantas cozinhas variadas que eu encontrei nessa viagem, faltou muito pouco pra eu voltar pra casa sem ter comido algo tipicamente francês. Mas antes que eu fizesse essa besteira, fui com Alessandro pra um restaurante chamado Le Kiosque, no 16ème mesmo.

Palmas pra mim, lembrei o nome! Só não queiram que eu lembre o nome dos pratos. A única coisa que me vem em mente é que eu finalmente comi um prato de pato (canard), mas não lembro se foi o tal “fois gras”.

Era um restaurante pequeno, mas bem interessante. Tinha fotos antigas por toda a parte e o cardápio era em forma de jornal. Assim que a gente sentou na mesa, Alessando olhou pra cima e disse: “tem uma bicicleta no teto!”. De fato, isso não se vê muito por aí.

Uma diversão da noite foi observar um casal que, por um lado, parecia ter se encontrado por acaso, mas por outro era como se tivessem marcado de se encontrar pela internet. Foi um pouco estranho, mas o bom era tentar imaginar qual era o caso. Acabamos sem descobrir.

A cadeira que eu tava ficava do lado de uma porta fechada, mas era o suficiente pra entrar um vento gelado. E isso foi só uma prévia do frio que eu senti quando a gente voltou pra casa. Segundo Alessandro, devia fazer uns 3 graus.

Vai ver é verdade: agora que eu vou embora, o inverno vai começar pra valer.

Últimos planos

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Voltando pra casa pela Av. Georges Mandel, no fim da tarde

Depois de Gi, Paty é mais uma que eu não vou ver mais nessa viagem. Mas Vinício e eu vamos procurar alguma coisa pra fazer ainda essa madrugada. Eu tenho que ter alguma espécie de despedida.

Meu vôo sai às 7 da manhã, lá no aeroporto de Orly. Como é um vôo internacional, preciso chegar as 5h da manhã, hora em que o metrô e RER ainda vão estar fechados. Isso normalmente seria motivo para desespero, mas Alessandro conseguiu uma carona pra mim com uma amiga dele.

Aparentemente, tô salvo. O difícil vai ser acordar as 4 da manhã com tudo pronto. Por isso, alguém teve a idéia brilhante de passar a madrugada acordado numa festa aqui perto e já ir direto pro aeroporto.

Depois dessa, quero ver eu não dormir no avião.

Passageiro, mas só de passagem

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
O poster do novo filme de Rambo, nos corredores do mêtro

Entrei no metrô, provavelmente pela última vez por um bom tempo. Tava na hora de começar a me despedir de várias coisas. Enquanto pensava no que eu não vou mais encontrar daqui a 2 dias, olhei pro lado, e vi um rosto familiar sentado na cadeira do lado. Quando parei pra lembrar quem era, notei que foi o cara que perguntou pela Surcouf.

Uma das coisas que eu teria que me despedir era justamente poder conversar em francês, então resolvi puxar assunto (algo que eu não fiz a viagem toda, mas devia ter feito, mesmo sendo com desconhecidos).

Ele contou que o notebook dele tinha algum problema, mas estava na garantia, só que nas duas vezes que foi lá, a loja estava fechada. A essa altura eu já sabia reconhecer quem era francês e quem não era. Ele definitivamente não era daqui, e sim do Marrocos. Como praticamente todo mundo que eu conheci na Europa, ele veio para estudar.

No meio da conversa, Paty ligou. Ela tinha ficado de me entregar uns cartões de Natal atrasado pra eu levar pro Brasil, mas ainda não tinha feito. Infelizmente, não ia dar tempo de fazer e me entregar. Eu fiquei um pouco confuso com os dois falando comigo ao mesmo tempo, mas enquanto ela me desejava boa viagem, o tal marroquino se despediu e foi embora.

Depois de muita conversa, Paty se despediu e desligou. E eu fiquei olhando ao redor, dentro do metrô, me despedindo dele.

Indecisão

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Meu cartão de memória recém-comprado (ou a embalagem dele)

Saí de casa decidido a comprar um cartão de memória de 4gb pra minha câmera. Mas finalmente cheguei na rua Mongallet, vi dezenas de opções câmeras, de todas as marcas. Talvez fosse mais negócio comprar logo uma câmera nova e um cartão pra ela.

No entanto, teria sido mais inteligente ter pensado nisso antes, em casa, onde eu tinha o Google. Assim eu poderia pesquisar sobre as câmeras e evitar que eu acabasse comprando alguma porcaria qualquer.

Resolvi pedir ajuda aos universitários. Peguei o celular e comecei a escrever mensagens pra Gi e Alessandro. Nesse momento, passa um cara perguntando se eu sei onde fica a Surcouf. Eu lembro de ter lido esse nome em algum lugar, mas eu já tinha ido até o fim da rua e voltado e não vi nada. O cara agradeceu e seguiu adiante.

Voltei pras minhas mensagens. Listei algumas opções de câmeras, perguntei se tinha alguma marca melhor e tal, mas ninguém respondeu. Fui novamente até o fim da rua procurando a loja onde eu tinha visto o preço mais barato no site (pois é, a rua tem um site). Na primeira vez que eu vim, não achei a loja, mas dessa vez percebi que a rua faz uma “curva”.

Dobrando a rua, achei a loja que eu queria. É meio complicado você virar pra um oriental e falar “Memory Stick” em francês. Então eu desisti e falei do jeito mais simples mesmo, sem R francês, sem R inglês, o R brasileiro mesmo: memoristíque! Botei na câmera pra testar, e tirei uma foto muito expressiva do balcão, como podem ver.

Saí da loja, e la estava ela: a Surcouf! Coitado do cara que me perguntou, espero que ele tenha achado. Se bem que ela tava fechada, não ia adiantar muito. No caminho de volta, acabei cedendo ao apelo de uma vitrine e comprei um Pen Drive de 8gb. Sei lá, pode ser útil.

O problema é que isso me deixou liso. Sobraram 50 centavos de euro e dois tickets de metrô. Bem, era o suficiente pra voltar pra casa. Nesse momento, Gi respondeu a mensagem dizendo a câmera que ela comprou. Agora já era.

O desconfiômetro brasileiro

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Poster numa estação de metrô da linha 6

A mala tá quase pronta (por algum milagre inexplicável), então saí em busca do meu cartão de memória que eu, como todo bom brasileiro, deixei pra comprar no último dia. O destino era a rua Montgallet, aquela que não aceitava o meu cartão de crédito quando fui da primeira vez. Por garantia, fui levando mais dinheiro.

Logo na frente da catraca, encontrei uma francesa que devia ter a minha idade. Ela parecia agoniada, como quem procura alguma coisa. Quando passei por perto, ela falou comigo, perguntando alguma coisa. Como ela tinha falado muito rápido, fiquei olhando com aquela cara de “hein?” pra ela.

– É que eu bla bla bla carteira bla bla bla.
– Er… hã?
– Você entende francês?
– Sim.
– Eu não consigo encontrar minha carteira.
– Certo.
– Er… bla bla bla atrasada bla bla bla catraca.
– Hum… você quer passar junto comigo na catraca?
– Isso! Você se importa?
– Não, não, vamo lá.

E passei junto com ela. Ela agradeceu e seguiu o caminho dela. Eu tava até feliz de ter feito uma boa ação, embora ela incluísse dar um jeitinho brasileiro pra sacanear o sistema. Só que bateu aquela velha desconfiança, também brasileira: dizem que os batedores de carteira europeus são profissionais. Basta encostarem em você, e você nem nota que seus pertences foram embora.

Botei a mão num bolso, a carteira tava lá. Botei a mão no outro, os celulares tavam lá. Botei a mão pra tras, pra ver se a bolsa tava aberta, mas não tava. Alarme falso. Ela devia estar falando a verdade mesmo. Às vezes eu esqueço que eu vim pro primeiro mundo.

Notícias do topo da montanha

•[ janeiro 29, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Gi, pronta pra torcer o tornozelo

Tenho que agradecer novamente a Gi por me ajudar a manter a sanidade mental nos meus momentos autistas, graças aos SMSs. Ontem ela deixou um scrap de boa viagem, confirmando que a gente agora só se vê no Brasil, depois que ela terminar a viagem dela.

Mas se você achava que a participação dela tinha acabado aí, pense de novo. Na verdade, eu também estava achando, até que recebi a seguinte mensagem:

“Fui esquiar hoje, e torci o tornozelo. Vou ficar com a perna imobilizada por 10 dias.”

Parei pra pensar na situação, e só me veio uma coisa na cabeça: vontade de rir. Podem ficar com pena dela. E podem ficar com raiva de mim. Podem fazer o que quiser, mas eu comecei a rir, e muito. E não tinha como parar.

Mandei uma mensagem tirando onda, e acho que ela tá levando na esportiva. Eu não costumo ficar rindo da desgraça alheia, mas pra ela eu faço questão de abrir uma exceção.