Enfim, alguém trabalha

•[ janeiro 28, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Alessandro e Nicolas, provavelmente perdendo a paciência

Para os que ainda não acreditam, eis a prova: Alessandro realmente trabalha.

Hoje comecei o dia fazendo uma visita à universidade dele, onde encontrei o pessoal que eu conheci no restaurante polonês. Mas o real motivo da visita foi para almoçar com eles no restaurante universitário, coisa que eu já devia ter feito antes.

Marquei com ele lá as 11h45 mas, como era de se esperar, as 11h30 eu ainda tava em casa. Como eu já tinha olhado mais ou menos o caminho ontem, saí de casa correndo pra dar tempo. Depois de 5 minutos correndo, percebi que tava na rua certa, mas tinha ido no sentido contrário.

Voltei correndo mais ainda, e percebi que a resistência física que eu tinha no mês passado já foi pro espaço. Peguei o mapa e saí cortando caminho, pra ver se não me atrasava tanto. Fiquei me sentindo um morador nativo quando descobri que escolhi exatamente os atalhos que Alessandro pega todos os dias.

Depois de dias procurando lugares pra almoçar e gastando pelo menos 12 euros em cada, almocei decentemente hoje por apenas 2,51. Agora tô começando a entender como os estudantes lisos sobrevivem em Paris.

Caixa eletrônico

•[ janeiro 27, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Rue de la Pompe, vista do caixa eletrônico

Uma das minhas grandes dúvidas antes de vir pra a Europa era sobre qual a melhor forma de trazer meu dinheiro. Eu sei que os moradores aqui simplesmente usam cartão de débito, mas eu não tenho uma conta num banco em Paris, então a história era outra.

Depois de muito pensar, pesquisar e ouvir sugestões, acabei trazendo dinheiro vivo mesmo, e dois cartões de crédito. Com todas as minhas economias (propositais ou não), consegui sobreviver até agora sem precisar tocar nos cartões. Só que o dinheiro agora tá quase acabando.

Há alguns dias, quando tentei comprar o cartão de memória pra minha câmera, usando o cartão de crédito pela primeira vez, disseram que só aceitavam cartão com chip, e o meu ainda era com o atraso da tarja magnética. Isso me deixou altamente preocupado pois, quando o dinheiro acabasse mesmo, eu ia ter problemas se o banco também não aceitasse.

Pra minha sorte – como sempre – tem um caixa eletrônico na rua de Alessandro (aqui eles chamam de “distributeur”). Botei meu cartão lá e a máquina puxou ele pra dentro com tudo. Fiquei na dúvida se ele ia me devolver. Então, ele pediu a senha. Er… senha? Eu não decorei a senha, pois achava que só ia usar como cartão de crédito. Bonito, né?

Das profundezas da minha memória, puxei um número que vi rapidamente num papel há uns dois meses, e digitei. Pra minha surpresa, a máquina começou a fazer uns barulhos e devolveu meu cartão. E, junto com ele, o dinheiro que eu pedi.

Agora já posso dormir mais tranquilo, sabendo que posso voltar a gastar meu dinheiro.

A torre em miniatura

•[ janeiro 27, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
A torre Eiffel, após o passeio de balsa

Há vários dias, Felipe, um amigo meu que esteve em Paris há pouco tempo, me pediu pra comprar uma miniatura da torre Eiffel pra ele, pois tinha acontecido algo com a que ele comprou.

Eu tinha esquecido completamente disso, até passar por um indiano cheio de torres em cima de um tapete no meio da ponte. Meu amigo foi bem específico: uma torre pequena, mas que não é um chaveiro, e que custa em torno de 3 euros. Era exatamente o que o indiano tinha lá.

Comprei a torre dele e quase ia embora quando me dei conta de uma coisa: em um mês de viagem, ainda não comprei NADA pra levar pro Brasil. Absolutamente nada, nem mesmo pra mim. Peguei então, em vez de uma, duas miniaturas.

Pronto, agora já comprei algo pra mim. Só me arrependo de não ter pensado nisso antes, quando passei por Barcelona e Paris.

Academia de Krav Magá

•[ janeiro 27, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Horário da academia Gym et Danse

Desde eu cheguei em Paris, fiquei de conhecer a academia de Krav Magá daqui, mas com tanta coisa pra ver, acabei me esquecendo.

Krav Magá é uma arte israelense de defesa pessoal, que eu comecei a fazer em agosto do ano passado. Ao pé da letra, quer dizer “combate próximo” ou “combate de defesa”, e é uma técnica desenvolvida para que qualquer pessoa, independente do porte físico, possa se defender de eventuais agressões.

Quando falei pro meu instrutor que ia faltar um mês porque ia viajar, ele disse que eu tinha que fazer duas coisas. A primeira, era tirar uma foto num ponto turístico usando a camisa do uniforme. Eu até trouxe a camisa, mas com o frio que faz aqui, não tem a mínima condição de usar sem ser por baixo do casaco e mais outra camisa.

A segunda era fazer uma aula na academia de Krav Magá de Paris que, como eu descobri um pouco tarde, fica muito perto da casa de Alessandro. Só agora que eu finalmente fui conhecer, ela tava fechada. O máximo que eu consegui foi tirar a foto do horário das aulas, que fica logo na porta da academia Gym et Danse.

Pelo visto, as aulas vão ficar pra quando eu voltar mesmo.

Passeio de balsa pelo rio Sena

•[ janeiro 27, 2008 ] • 9 Comentários

França Paris
No passeio de balsa pelo Sena

Existem várias opções de balsa para navegar o Sena, mas resolvi ir pra a mais fácil: a Vedette de Paris, que custa 10 euros e parte bem próxima à torre Eiffel. Foi daqueles momentos bem turistas, como subir na torre. Orientais com cameras por todo lado, e várias pessoas ansiosas pra conhecer a cidade.

É uma ótima chance de ver a cidade por outro ângulo. Uma coisa legal é que você passa a notar algo em que a gente não costuma prestar atenção: as pontes. Do alto de cada uma delas, outros turistas observavam nossa balsa passando. Tinham duas meninas na fileira da frente que acenavam pra todos que estavam em cima delas. É lógico que os parisienses ignoravam.

Os turistas aguardando a partida da balsa     Um ciclista para na ponte para observar a balsa     Detalhe na ponte Alexandre III

Pra cada ponto turístico que a gente passava, tinha um auto-falante explicando em francês, em inglês e depois em espanhol. Era bom porque eu podia confirmar o que eu tinha ouvido na primeira vez. Na verdade, nem fazia tanta diferença já que eu, ao contrário da maioria do povo lá, já sabia decorado o que tem nas margens do rio, como é o caso do Musée d’Orsay, onde eu vim com Gi, na primeira semana.

Fiquei impressionado com o Louvre, tantas vezes visto por dentro, e agora eu via por fora. Acho que eu não tinha noção de que ele era tão grande assim, afinal, lá dentro você se distrai com as obras.

Cada ponte tem uma história, que era contada nos auto-falantes. E pra cada ponte, eu tinha uma história pra contar, das minhas andanças pela cidade.

Musée d’Orsay     Musée du Louvre     Pont des Arts

À medida que a Île-de-la-Cité se aproximava, eu sabia que o passeio já tinha chegado na metade (instinto turístico). Reconheci a Notre-Dame, e tirei quase 10 fotos dela, pois sabia que não ia ter aquele ângulo de novo nem tão cedo.

Ver o Institut du Monde Arab e a universidade de Jussieu me fez lembrar da primeira vez que tentei encontrar Paty. Eu não botava fé nesse passeio (como sempre), mas ele tava me trazendo altas lembranças (na maioria boas) do tempo que eu passei aqui.

A Île-de-la-Cité e a Pont Neuf se aproximando     Catedral de Notre Dame     Institut du Monde Arab

Tinha passado das 17h, e o sol já estava se escondendo. O frio, que aumentava a cada minuto, fazia as cadeiras esvaziarem aos poucos, levando todos para o “térreo” da balsa, que era fechado. Mas eu não. Cada minuto desse tinha que ser aproveitado.

O pôr do sol fazia brilhar as esculturas de ouro da Pont Alexandre III. E servia de pano de fundo pra uma das minhas milhares de fotos da torre Eiffel.

A balsa quase vazia ao passar de volta pelo Louvre     As esculturas refletindo o sol     O pôr do sol

Meus olhos ardiam por causa do vento frio. A camera gelava, mesmo escondida dentro do bolso. Mas eu só pensava em tirar fotos dessa torre, na frente da qual eu já dei gargalhadas, já me assustei, já fiquei em silêncio e já chorei de saudade.

É muita emoção simbolizada por um único ponto turístico. E tem sido muita emoção pra uma única pessoa. Eu gostaria de ter podido compartilhar mais vezes.

Meus olhos ardendo com o vento frio     A ponte de Bir-Hakeim e o metrô da linha 6     A torre Eiffel

Pé de cachimbo

•[ janeiro 27, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Centenas de pessoas aproveitam o domingo em Paris

Não beber no sábado teve uma vantagem: um domingo sem ressaca e sem excesso de sono. E pela primeira vez eu saí de casa num domingo à tarde em Paris.

Eu não esperava de jeito nenhum que fosse ter tanta gente no meio da rua. Depois de ficar saindo o tempo todo só durante a semana, eu tinha esquecido que domingo é o dia internacional de não fazer nada produtivo. Sendo assim, estavam todos lá: turistas, moradores, vendendores de bugingangas, crianças, dançarinos de free-style, e todo tipo de gente que você imaginar.

Por mais que algumas pessoas não gostem de encontrar outros turistas, acho que meu caso é o contrário. É muito legal a quantidade de local ao ar livre que se tem em Paris, e sempre com uma vista de fazer inveja.

Crianças se divertem no Trocadéro     A vista do Palais de Chaillot     Palais de Challiot

Ainda me lembro exatamente de quando cheguei e vi a torre Eiffel pela primeira vez. O dia tava frio, nublado, e eu ficava o tempo todo achando que estava em Londres, sei lá por quê. Eu não entendia o transito, quase era atropelado várias vezes. Gi me carregava pra lá e pra cá, e eu não tinha a mínima noção de pra onde a gente ia.

Hoje eu já me sinto em casa, sei exatamente por onde ando e acho engraçado as caras de perdidos que tem os novos turistas. Quando quero encontrar um lugar em Paris, me pergunto logo: à direita ou à esquerda do rio Sena?

Era bem estranho que, sendo esse quase morador que eu sou agora, eu não tivesse ainda feito um passeio de barco pelo Sena. Então hoje foi o dia (num dos meus últimos) de fazer algo isto que quase todo turista faz logo no primeiro.

Foto clássica da torre e do carrossel     A torre e seus mil turistas ao redor     Uma vedette de Paris, prestes a partir

Paris, je t’aime

•[ janeiro 27, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Praça do Trocadéro, com a torre lá no fundo

Comecei a imaginar esse post enquanto caminhava de volta pra casa. Fazia dez minutos que eu tinha me despedido de Vinício, e vim me orientando pelo mapa (nunca saio de casa sem ele).

Eu sabia que deveria estar triste, por saber que muito em breve em vou embora da Europa. Mas, pelo contrário, estou mesmo é feliz, por ter conseguido concretizar esse sonho. Talvez vir pra cá nem fosse um sonho meu, e sim de outras pessoas, mas quando eu percebi que era possível, passou a ser algo que eu queria fazer, de verdade. E agora eu consegui.

Eu andei pelas ruas quase vazias, às 3 da manhã, e os poucos motoristas deviam estar imaginando o que um doido fazia sozinho no meio da madrugada. Ou talvez não: aqui a gente não precisa ter todo esse medo de andar na rua.

O fato de tantas pessoas quererem e não poderem vir torna tudo isso mais impressionante. Não é pra fazer inveja nem nada do tipo. É só porque eu percebi essa sorte toda que eu tive. Espero que muitos possam ter essa mesma sorte algum dia.

Continuei caminhando e cheguei na praça do Trocadéro. Na minha frente, mais uma vez, estava a torre Eiffel. Não toda acesa, como eu costumo ver, mas apagada, como o resto da cidade, que já tinha ido dormir. Ainda assim, ficar observando a torre sem se preocupar com mais nada é algo que acalma qualquer um.

Sentei sozinho nas escadarias. Um cara veio falar comigo rapidamente, pra perguntar se eu tinha um isqueiro. Se fosse no Brasil, seria pra “pedir” minha carteira.

Deitei no meio da praça. Encostado no chão gelado do Trocadéro, percebi que o céu da França não tem o Cruzeiro do Sul, nem as Três Marias, e entendi mais uma vez o quanto eu estou longe de casa.

Eu já sinto como se estivesse indo embora. Quem sabe isso me ajude a aproveitar melhor esses últimos dias.