Aprenda química na França: Aula 03

•[ janeiro 27, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Torre Eiffel, à noite

Formula de hoje: Zero álcool = Perda de paciência

À tarde foram dezenas de mensagens entre eu e Gi, Vinício e Paty, pra tentar marcar o que íamos fazer de noite, a tal despedida. Alessandro até reclamou que tava tentando dormir um pouco e não conseguia, porque toda hora chegava mensagem (e eu não aprendi a tirar o som nesse celular complicado).

Mas a noite já começou com uma baixa: por problemas de logística, Gi não vem mais pra Paris. Tava muito complicado pra ela conseguir arrumar um lugar pra deixar a mala e ainda encontrar a gente.

Depois do jantar, que atrasou algumas horas, Alessandro resolveu ir pra casa. Menos um pra a festa. Quando eu ia até Paty, Vinício ligou dizendo que me encontrava no caminho, o que levou cerca de meia hora. Minha paciência já ia a zero quando nós dois finalmente chegamos no bar.

Estavam todos lá. Todos indo embora. Ninguém queria perder a hora do metrô pra casa. Vinicio e eu, abandonados, saímos vagando a Champs-Elysées em busca de um lugar pra beber. Déjà vu?

Entramos numa pizzaria, e o cheiro dela transformou a vontade de beber em fome. De álcool, no máximo vinho, pra ver se esquentava. Mas nada de beber de verdade. E, às duas da manhã, bateu o sono e eu fui embora, andando e me tremendo de frio.

Essa noite não foi nem perto do que eu esperava, especialmente pra uma despedida. Moral da história: na próxima, eu bebo antes de sair de casa. Já vi funcionar outras vezes.

Polonês: mais uma bizarrice gastronômica

•[ janeiro 26, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
O pessoal da faculdade de Alessandro, no restaurante Polonês

Inventamos de jantar num restaurante polonês, com o pessoal da faculdade de Alessandro. Foi invenção mesmo, pois quando todo mundo chegou na porta, quase desistiu, pois era bem bueral. Mas na falta de opção, acabamos entrando assim mesmo.

A dona (que também era a garçonete e, se duvidar, a cozinheira) era uma pessoa estranha. Não é nem que ela fosse antipática, mas era meio enrolada, pois agia como se o restaurante tivesse cheio. E só tinha a gente.

Quer dizer, isso até chegarem uns 15 punks, que vieram direto da Dark-Emo-lândia, só pode. Mas considerando todo tipo de coisa bizarra que eu já vi na Europa, dá até pra considerar aquilo uma reunião familiar ou um happy hour.

Os nomes dos pratos eram em polonês e a mulher explicava em francês (ou quase isso). Depois de muita dúvida pra escolher, acabei pedindo um estrogonofe, pois era a unica coisa que eu conseguia entender o que era. Só depois me liguei que eu tinha comido isso no almoço.

Essa é a parte da roleta russa que acontece quando você está num país estranho. Metade do povo não gostou do prato que pediu. Ainda bem que pelo menos tinha a entrada pra compensar. No meu caso, eu preferia o estrogonofe que eu mesmo fiz.

Notícias de Lyon

•[ janeiro 26, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Gi, em Lyon

Foi só falar em Gi que ela resolveu dar notícias. Finalmente ela tomou vergonha na cara e botou mais créditos no celular dela pra poder voltar a mandar mensagem. E o melhor: ela ligou dizendo que talvez venha pra Paris hoje!

Nesse momento, ela tá em Lyon, passou o dia lá com duas amigas do buraco em que ela tá. Só não sei se ela vai conseguir chegar a tempo em Paris. Espero que ela consiga, pois vai ser massa conseguir fazer a tal despedida com todo mundo junto.

Um clone da torre Eiffel, em Lyon     Ponte Bonaparte, sobre o rio Saône     Catedral de Notre-Dame Fourvière

Em Paris, 13 graus

•[ janeiro 26, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Em Paris, 13 graus

Alessandro não acreditava quando eu dizia que, quando eu andava na rua, o céu abria. Dessa vez ele acreditou. Depois de andar pelas ladeiras de Auteil, eu já tava suando, em pleno inverno. Isso sem correr nem nada.

Auteil é um bairro meio afastado da cidade (não lembro exatamente se fica dentro ou fora), cheio de predios meio modernos, a ver com uma tal de Arte Decó. Essa é mais uma dica pros arquitetos que visitarem Paris, e bem… não era meu caso.

 Prédio em Auteil   Casa em Auteil   Prédio em Auteil   Prédio em Auteil

O plano era seguir o passeio do guia, mas só chegamos na metade. Alessandro então diz:
– Bom… tô com fome. Outro dia tu volta aqui e faz o resto do passeio.
– Até parece que eu volto.
– Acho que eu vou fazer estrogonofe, beleza?
– Por mim ok.
– Pensando bem… VOCÊ vai fazer estrogonofe, tá bom de aprender.
– Er…

Essa foi a desculpa. E lá fui eu em mais uma aventura culinária. Lembro que exagerei em algum dos temperos, e o negócio acabou ficando meio salgado, com um gosto forte danado de curry ou sei lá o quê. Mas no geral, todos sobreviveram de novo.

Parando pra pensar: Gi veio pra a Europa pra fazer um estágio do curso dela; o argentino foi pra Londres trabalhar; eu achava que vinha pra cá aprender francês.

Só que, nesse mês, já lavei prato, fiz compras, fiz carne moída e estrogonofe. Acabei de lavar o banheiro, tirar a roupa da máquina de lavar e estender. E quase nada de falar francês.

Quem vai gostar de saber disso é a minha mãe.

O bosque, mas sem lobo mau

•[ janeiro 26, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Uma ilha planejada lá no fundo, no Bois de Boulogne

O Bois de Boulogne é um bosque MUITO grande, maior que o Hyde Park e o Central Park juntos. Sendo assim, eu não devo ter visto quase nada dele.

Logo na entrada, tem uma placa (que não dá pra dizer que é de trânsito) que praticamente diz “Começou o bosque, tchau Paris”. Bem bruto mesmo.

Pelo que Alessandro tinha falado, achei que ia ter muito mais gente, mas tinha apenas algumas pessoas perdidas caminhando, correndo, remando ou simplesmente sentadas em bancos. Afinal, existem coisas melhores pra se fazer num dia nublado. Pelo menos para os não-autistas (e não-turistas).

E bem, há controvérsias quanto ao lobo mau. Dizem que qualquer bosque ou parque à noite é altamente perigoso, e os turistas que resolvem se arriscar não voltam nunca mais. É por isso que eu fui de dia.

Tchau, Paris. Um autista remando no rio Um autista na pista de cooper Uma autista num banco

A propósito, vi na foto da esquerda algo que eu já tinha me esquecido: depois de quase um mês de viagem, meu cabelo já ganhou vida. E infelizmente vai continuar assim, pois não tem perigo de eu pagar pra cortar aqui na Europa.

Era bom que os cabelos simplesmente caíssem no inverno, como as árvores, pra diminuir o trabalho que a gente tem com eles.

Saindo de Paris

•[ janeiro 26, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Boulevard Péripherique, a estrada que circula Paris

Calma, calma, a viagem ainda não acabou. Eu só saí de Paris pra visitar o Bois de Boulogne, um bosque vizinho, que fica logo depois da Boulevard Péripherique.

A Péripherique é uma auto-estrada que circula a cidade, delimitando a fronteira. Achei bem interessante pois, se você estiver de carro, consegue chegar a qualquer um dos extremos sem precisar pegar um trânsito infernal (até porque só de andar de carro em Paris já deve ser um stress danado).

Acho que eu só consegiu achar o caminho porque Alessandro tava junto (pois é, dia de sábado, a senzala libera ele). Não tinha mapa nenhum daquela área, e tudo era muito confuso. Alessandro inclusive se perdia em algum momento. Ainda bem que era cheio de placas.

O mais complicado foi ficar o tempo todo andando andando (como de costume), pois meus pés e pernas ainda tão doendo do patins. Acho que eu exagerei na corrida… e nas quedas.

Patinar, cair, levantar!

•[ janeiro 25, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Eu e Paty na entrada do ginásio em Bercy

Saí do metrô na estação Place Monge, mas não sabia pra que lado ficava o norte. O pior é que eu sabia que já tinha passado por aquela rua algum dia nas minhas andanças. Depois de uns 5 minutos, consegui me achar, e fui procurar o número “7I” (que era um 71 escrito errado).

Paty estava lanchando com vários amigos da faculdade: umas 20 pessoas, entre libaneses, tunisianos, colombianos, italianos e (é claro) brasileiros. A princípio, fiquei conversando em português mesmo, com Rodrigo (o colombiano) e com os brasileiros que estavam no meu aniversário. O interessante é que Rodrigo entendia tudo que a gente falava, bastava falar devagar. E ele respondia em espanhol, e a gente também entendia tudo.

Fiquei com pena de um dos tunisianos (esqueci o nome), pois ele tava lá do lado com cara de árvore, então comecei a falar francês. Foi muito legal fazer isso, pois eu finalmente tive a chance de conversar de verdade em francês. O pessoal elogiou minha pronúncia, pra o pouco tempo que eu estudava. É massa ouvir isso de quem mora lá.

Enfim, fomos pegar o metrô para Bercy. Alguns foram ficando no meio do caminho, mas ainda foi um grupo considerável até a pista de patinação. Eu era o único ali que não era estudante, então acabei pagando a inteira, de 7 euros. Mas valeu muito a pena.

Já fazia um tempo que eu não me divertia tanto, especialmente fazendo algo tão “de criança”. Enquanto muita gente andava bem devagar, com medo de cair, eu já comecei correndo feito doido. Depois de escapar várias vezes, acabei levando uma queda e ralei minhas mãos no chão.

Alguém me disse que depois da primeira queda, você perde o medo. Resultado? Levantei e comecei a correr de novo. E caí de novo. E de novo. E não tava nem aí. Em duas horas, caí quatro vezes, o que eu achei até razoável.

Depois de alguma prática, andei junto com Paty e com Maysa (uma libanesa), pra ajudar a perderem o medo também. Consegui evitar altas quedas, mas teve uma hora que eu acabei derrubando Maysa e quase caio por cima dela. Ela continuou com medo de cair de novo. Vai ver a regra não vale pra todo mundo.

O ginásio de Bercy     Patinar, cair, levantar     Todos com os pés doäos depois de 2 horas de patinação

Gostei muito do pessoal e da animação deles. Combinei com Paty de irmos todos pra algum lugar amanhã. É uma pena que eu só conheci todo mundo tão perto do fim da viagem.