Os quase-atropelos da viagem

•[ janeiro 23, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
A fonte próxima ao Centre Pompidou

Cheguei ao Centre Pompidou novamente, pois hoje pelo menos eu sabia que ele tava aberto. Mas antes de chegar nele, achei essa fonte, por onde eu já tinha passado antes.

Na primeira vez, eu vinha na direção dos carros. Por algum motivo (acho que continuando a calçada), eu vim colado com a fonte, bem perto da rua. Levei umas 3 buzinadas e quase era atropelado.

Hoje pelo menos, eu entrei na rua do lado (a parte escura à direita da foto), onde tinha uma calçada. Chegando no fim, parei pra tirar uma foto do Pompidou. Quando achei a posição certa da foto, mais uma buzina: descobri que também passa carro daquele lado.

Desisto. Esse trânsito de Paris é muito complicado.

Usei meu francês, pela primeira vez!

•[ janeiro 23, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Place de la République

Nas minhas andanças aleatórias, cheguei na Place de la République, uma praça bem movimentada cujo centro possui uma estátua referente (lógico) à proclamação da República francesa. Na estátua tem o famoso lema francês: liberdade, igualdade e fraternidade (que eu acho um dos melhores).

Só que o mais interessante nessa hora não foi a estátua lá parada, e sim uma menina francesa que me parou no meio da rua, provavelmente me achando com cara de rico. Ela fazia parte do CARE, uma espécie de ONG que ajudava crianças necessitadas ou algo do tipo.

Ela perguntou se eu entendia francês, eu disse que sim. Ela me explicou o que ela queria, eu disse “ok”. Ela perguntou se eu entendi, eu disse que não.

Então a conversa seguiu:
– Eu posso falar em inglês, se você preferir.
– Ok, então.
– Nós somos… er… uma organização.. er… que… er…
– Bem, tenta falar em francês novamente, vai que eu entendo.
– Tá bom então. Nós somos uma organização que…

Nesse momento ela danou-se a falar um texto decorado que mais parecia apresentação de feira de ciências. Eu até que tava entendendo boa parte, tava até orgulhoso da minha compreensão.

Até que, depois de um minuto, ela concluiu de repente o discursso e perguntou:
– E aí?
– Hã?
– Você pode nos ajudar?
– Er…
– Você entendeu o que eu falei?
– Acho que entendi, mas não tenho certeza.
– …
– Bom, deixa eu tentar repetir e você me diz se é isso mesmo.
– Tá certo.
– Vocês trabalham com crianças necessitadas, e não recebem apoio do governo, então precisam de doações constantes de pessoas que moram em Paris. É isso?
– É isso mesmo!

Ela abriu um sorriso enorme. De um lado, ela feliz porque tinha conseguido alguém que entendia exatamente a necessidade. Do outro, eu feliz porque não só tinha conseguido entender o que ela falou, como conseguir dizer tudo em seguida.

– Mas eu não moro em Paris.
– Ah. Então tá…

O sorriso dela foi embora. Ela se despediu e foi embora. Eu fui embora. Mas o meu sorriso continuou, pois finalmente meu francês serviu pra alguma coisa. Mesmo que tenha sido pra frustrar alguém.

Os pombos europeus

•[ janeiro 23, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Pombos parisienses guardando seu território

Já comentei aqui sobre minha atração misteriosa por pombos. Em toda cidade que eu fui, eu tirei pelo menos três fotos deles.

Os da foto acima estavam tranquilamente repousados no teto do carro, em posição de vigia, como se ali fosse o território deles. Quero só saber o que o dono do carro achou disso.

Se você prestar atenção, vai ver que o comportamento dos pombos tem uma certa semelhança com o das pessoas. Os pombos de Barcelona fugiam quando alguém chegava perto, mas bastava ter algo interessante (tipo comida) que eles todos se amontoavam.

Os pombos londrinos eram mais desafiadores: eles passavam do seu lado sem se incomodar com a presença dos estranhos. Já os pombos parisienses passavam dando rasante e batendo em todo mundo que tivesse no caminho, como se dissessem “sai da frente!”.

Pombos de Barcelona     Pombos londrinos no Hyde Park     Pombos parisienses, em frente ao Pompidou

E, pra não deixar a terrinha de fora, os pombos recifenses sempre arrumam um jeito de sacanear quem ta passando. Só faltam voltar e rir da sua cara quando acertam. Por sorte, eu escapei de todos eles até hoje.

Isso tudo pode ser viagem minha… mas que parece, parece.

Às margens do Canal St. Martin

•[ janeiro 23, 2008 ] • 1 Comentário

França Paris
Aprendendo a usar o timer da câmera no Canal St Martin

Assim como na vez em que me recomendaram uma caminhada de 2 milhas pela margem do rio Thames, em Londres, eu não conseguia entender o que o Canal St Martin podia ter de tão interessante pra tanta gente achar que vale a pena percorrê-lo. Assim como na vez do Thames, acabei sendo surpreendido.

Logo no começo, tem uma espécie de praça com uma fonte, onde algumas pessoas param pra comer. A tranquilidade das pessoas que vão para caminhar às margens do canal é algo meio contagiante. Eu só tava um pouco nervoso por causa da fome, mas logo depois de devorar meu almoço verde, eu entrei no clima de calmaria.

A fonte logo no inãio do canal     Uma oriental solitária comendo em frente ao antigo edifãio do pedágio     Pessoas caminhado nas margens do canal

A vista do canal é muito legal, aquela água tranquila e tão próxima (pois é, às vezes batia aquela vontade de mergulhar). São várias comportas distribuídas naquela imensidão de quase uns 5 quilômetros de água. E, já que Paris não tem mar, lá você pode encontrar alguns pescadores.

O guia de Paris diz que nesse canal você pode ver bem os edifícios da vida proletária, sobre o qual Edith Piaf tanto cantava. Infelizmente, eu não assisti o filme ainda, então não deu pra identificar muita coisa.

Uma das pontes por cima do canal     Comporta para represar a água do canal     Pescadores em volta do canal

Mais pro fim do canal, começavam a aparecer várias pontes, cada uma diferente da outra, algumas de madeira, outras de ferro. O único problema foi que, justamente por estar andando com o guia de Paris na mão, eu praticamente tinha estampado na minha testa: “turista”.

Chegou um cara pedindo esmola, chegou outro me oferecendo coisa pra vender, etc. Quando eu percebi o que tava atraindo tanto esse povo, guardei o guia e deixei pra abrir só quando cheguei no fim, quando o canal se esconde pelos subterrâneos da cidade.

Uma comporta vista de uma das pontes     A última ponte do canal (acho)     A última comporta antes do rio se esconder

Verde, a cor do desespero

•[ janeiro 23, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Meu almoço de hoje, muito nutritivo

Eu sempre esquecia de tirar fotos dos meus almoços, mas esse aí realmente mereceu. O prato tá mais ou menos na metade, mas o conteúdo era esse aí mesmo: um pedaço de carne e um bando de coisas verdes.

Isso é pra eu aprender a prestar atenção nas aulas de francês. Eu sabia que “haricots” era algo que eu gostava, mas não lembrava o quê. Então, quando vi no menu “haricots verts”, imaginei que era a mesma coisa que eu gostava, só que verde, e pedi como acompanhamento.

Quando o prato chegou, fui procurar no dicionário. “Haricot” quer dizer feijão. Só que isso no meu prato não tem a menor cara de feijão verde. Depois de um pouco de pesquisa, descobri que era vagem. A saída foi caprichar no sal.

Paguei 8 euros pela refeição (muito nutritiva…) e incríveis 4 euros por um suco de abacaxi de 200ml, que não tinha gosto de abacaxi. Entenderam agora porque eu vivo comendo sanduíche?

E o mais frustrante é que eu pedi vagem no lugar de batata frita.

La Défense

•[ janeiro 23, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
La Défense

Desde que eu cheguei em Paris, tinha vontade de conhecer La Défense. É um centro comercial de Paris, que por acaso não fica no centro, muito menos dentro de Paris. Uma grande dúvida minha era se meu ticket comum de metrô pra a zona 1 ia servir pra chegar até lá. Mas como lá é o terminal da linha 1, resolvi arriscar e ir na cara de pau. E deu certo.

Desci na estação Grande Arche, que fica numa espécie de shopping, também subterrâneo (alguém me disse que o nome era Quatre Temps, ou algo assim). Quando cheguei na superfície, encontrei exatamente o que eu esperava: arranha-céus bem modernos, todos espelhados. Acho que eu queria trabalhar aqui.

Shopping subterrâneo em La Défense     La Défense     La Défense

No começo, fica o tal Grande Arche, um dos pontos mais conhecidos dessa área. Um fato curioso sobre esse arco é que ele é alinhado tanto com o Arco do Triunfo quanto com a Pirâmide do Louvre. É coisa de louco imaginar isso, mas é só olhar no mapa que você vê que é verdade. Esses arquitetos franceses são psicopatas.

Grand Arche     Interior do Grand Arche     Vista do Grand Arche em direção ao outro arco

Essa foi a primeira vez em algum tempo que eu ando pela cidade sem mapa. Isso porque, como eu já disse, La Defénse fica fora dos limites de Paris. Então resolvi andar entre as duas estações: do Grande Arche até a Esplanade. No caminho dá pra ver obras muito curiosas, como as fontes que ficam se alternando e uma bola metálica gigante.

Interior do Le Dome     Fontes em La Défense     Escultura gigante no meio da praça

Na minha coragem de turista, pensei em voltar o caminho andando. Mas quando notei que tinha um rio pra atravessar e muito chão até conseguir chegar no outro arco, deixei de pirangagem e peguei o metrô mesmo. Mas saí de lá feliz. Achei sensacional essa área da cidade. Foi legal ver um bairro todo moderno, só pra variar um pouco dos museus e monumentos centenários.

Contagem regressiva

•[ janeiro 22, 2008 ] • Deixe um comentário

França Paris
Térro do Centre Pompidou, à noite

Passei novamente pelo Pompidou fechado, mas antes de ir embora, vi um restaurante de crepe logo do lado, e fui nele. Acho que foi a primeira vez que eu fiz duas refeições fora de casa no mesmo dia aqui em Paris. Será que o Mano turista tá finalmente ganhando do Mano pirangueiro? Er… creio que não.

Cheguei em casa e vim pra a internet, pra encontrar Alessandro e Gi comentando sobre uma festa de despedida pra mim nesse sábado. Caramba, despedida? Já? Só agora me dei conta que só tenho mais uma semana aqui.

Ao mesmo tempo, eu quero voltar e não quero. Parece longe ainda, parece ter tempo demais ainda pra eu começar a me preocupar. Mas uma semana não parece quase nada, se comparados à viagem toda. E ao tempo depois dela.